Ontem assisti a parte do debate na RTP 1 sobre o novo Código da Estrada que entrou em vigor no passado sábado. Do vasto painel de participantes aquele que mais me agradou em termos de intervenção foi um representante duma associação de Escolas de Condução que não se tendo alongado no seu ponto de vista, denunciou aquilo que eu já havia referido num post sobre esta matéria ou seja, as Escolas de Condução não preparam convenientemente os novos condutores para saberem enfrentar certas dificuldades que se lhes deparam nas diversas rodovias. Limitam-se a instruir os candidatos à obtenção da carta de condução, de acordo com os parâmetros definidos pela Direcção Geral de Viação, que segundo o mesmo referiu está desactualizada e caduca.
Ou seja os candidatos ficam apenas habilitados em termos de aprendizagem a satisfazer as exigências dos examinadores e dos Centros de Exame o que não significa que estejam preparados para, uma vez na posse da referida carta de condução, saberem dominar um automóvel em situações que jamais aprenderam no período de instrução,nomeadamente conduzir num piso molhado numa auto-estrada ou via rápida por forma a enfrentarem dificuldades que se lhes deparam.O representante jurídico da referida Direcção Geral de Viação óbviamente que não gostou do que ouviu e em vez de reconhecer a incapacidade do Organismo que representa optou pelo ataque ao referido representante das Escolas de Condução que segundo ele não representava ninguém. Isto para rebater a ideia de que o problema da sinistralidade não reside na má preparação dos recém encartados cujo denuncia tinha sido feita. Se calhar a Direcção Geral de Viação nunca se debruçou convenientemente sobre os sinistrados com acidentes mortais em que grande parte se deve à má aprendizagem ou melhor o mau ensino ministrado pelas Escolas de Condução, muito embora satisfaça as exigências definidas pelas regras do exame.
Bem me parecia que um dos problemas da sinistralidade consistia também na má formação dos condutores
Março 29, 2005 de jodoas
21 Respostas para “Bem me parecia que um dos problemas da sinistralidade consistia também na má formação dos condutores”





O insulto sempre foi a arma preferida dos que não têm argumentação.
Ora bem, caro vizinho, nem de propósito. estamos sintonizados, pelos vistos.
Aparece lá em casa para comentares o meu post de hoje sobre esta temática.
http://vizinho.blogspot.com/2005/03/opinai-vizinhos-opinai.html
Raúl;
Efectivamente o mau ensino ministrado aos condutores nas escolas é um problema que deve ser resolvido e tem um capital de importância elevado no que à sinistralidade diz respeito, no entanto:…
é problema maior ( o maior mesmo ) está na educação cívica. Os dias que vivemos hoje em Portugal são marcados pelo abuso e pelo desprezo dos direitos do vizinho do lado, pelo ” desenrasco-me eu e quem vier atrás que feche a porta”, pela arrogância, vaidade etc…
Caminha ainda esta sociedade para a cultura da cerveja e da coca-cola, ou seja, estamos cada vez mais um país embrutecido e ignorante.
Tudo isso depois tem reflexos na forma como andamos na estrada.
A educação, ou a falta dela, é que são quanto a mim as causas maiores da sinistralidade em Portugal.
Um abração do
Zecatelhado
Educação É que não há o menor perigo de tal vir a acontecer.
Sempre foi assim. Desde o tempo dos godos e da porca de Murça ou o camandro.
Salvo erro esse senhor (das escolas de condução) é ainda o mesmo que foi multado a 160 Km/h numa Estrada Nacional e quando foi entrevistado num canal de Televisão disse, arrogantemente: A multa era injusta pois o meu Mercedes classe S é um carro perfeitamente seguro a essas velocidades.
O pior e ridiculo desta história toda é que policias e guardas estão a tirar fotocopias do código com o seu proprio dinheiro, porque ainda não há em livro para todos. E quando houver vão que o ter de pagar para o terem. Isto passa os limites de um país que se quer desenvolvido, não achas?
Claro que todos nós temos a noção que o problema principal da sinistralidade é o da falta de civismo.
Mas como não é o único importa enumerar outros que também conhecemos. Convém não ignorar que os recém-encartados não são só jovens de 18, 19, 20 etc. Há muita gente madura que só agora se resolveu ou teve possibilidades para isso de tirar a carta de condução e toda esta gente é habitualmente detectável nas localidades vistos serem essas as zonas em que normalmente se pratica a instrução. O problema reside na condução rápida e nas ultrapassagens que os recém-encartados praticam nas auto-estradas e vias rápidas, um tipo de condução que não foram instruídos. Urge modificar a forma como actualmente são ministradas as aulas de condução automóvel sob pena de continuarmos a assistir é sinistralidade automóvel com índices elevados de mortalidade pois não serão as coimas actuais que neste particular irão ter qualquer impacto.
É nas escolas que se deve ensinar e alertar para tal facto.E tens razão no que se refere à direcção de viação que devia fazer uma abordagem referente à sinistralidade.
um grande abraço de
Fá
Tenhamos fé!
Não sÃo as coimas que me assustam ou preocupam.
O meu receio, É um dia não conseguir fugir a tempo de tantos inadaptados que por aí circulam, sejam eles da BT, instrutores de condução, da DGV, legisladores, ou simples cidadãos.
Ainda mal aprendemos a ler?
A falta de civismo a que se costumam atribuir os acidentes na estrada é um procedimento cultivado e incentivado, nomeadamente pela forma de actuar dos responsáveis da sociedade e notáveis. Algum até evidencia, demasiado bem, a impunidade a que os seus autores estão habituados; a cunha. Portanto, a meu ver, também esta “causa” pode “desaparecer”. No entanto, acho que é uma ideia redutora desprezar o efeito duma série de outras “causas” que continuam aí, a requerer soluções. São muitas, mas nenhuma é imutável. Depois, já repararam que a situação se vai agravando à medida que as condições sociais se agravam? É que a redução de tráfego motivada pela redução das actividades, não tem correspondido uma redução proporcional dos acidentes e suas vítimas. Só para lembrar também, esta “causa” marginal, porque as outras todos sabem quais são.