A ambição desmedida não nos tem beneficiado, bem pelo contrário
Fevereiro 27, 2006 de jodoas
Filipe Pinto através do post Uma questão de mentalidade , inicia brilhantemente a sua colaboração no blog do amigo Armando, apontando com a mesma precisão cirúrgica com que o cirurgião usa o bisturi, os males com que enferma a nossa sociedade seja ela a constituÃda pelos iletrados ou pelos alfabetizados de má formação. Não poderia estar mais de acordo com tal ponto de vista daà a motivação em dar continuidade ao raciocÃnio. Em Portugal antes de integrar a CE, tudo se produzia quer no sector agrÃcola, quer nas pescas, têxteis, calçado vidros, etc. etc.. Embora a diversidade fosse vasta e a qualidade aceitável, na altura as fábricas que laboravam com maquinaria obsoleta, a sua produção era essencialmente assegurada por uma pesada mão-de-obra, que, sendo mal remunerada garantia aos seus proprietários a possibilidade de sobreviver. O poder reivindicativo dos trabalhadores foi-se acentuando e há medida que as suas grelhas salariais foram melhorando, complicou-se a sobrevivência das empresas que, deixaram de ser competitivas face à concorrência externa, cujas fábricas estão modernamente a laborar com um mÃnimo de trabalhadores. As falências foram acontecendo, algumas das quais de cariz fraudulento, nunca resultando em condenação para os seus autores. DestruÃram-se frotas de barcos de pesca num sector em que nunca fomos competitivos e a industria do calçado, para além da têxtil e vidreira estão em vias de extinção. Já nem sequer se pratica a chamada agricultora de subsistência, essa também em vias de extinção. Resta-nos a produção vinÃcola, na qual não se tem apostado devidamente embora nos certames internacionais os nossos vinhos sejam aqueles que mais prémios arrebatam. PossuÃmos o chamado queijo da Serra cuja qualidade é inigualável em termos internacionais, que, não tem tido os necessários apoios. Produzimos azeite de elevadÃssima qualidade o qual também tem arrebatado prémios em alguns certames internacionais e que não são do ponto de vista dos organismos responsáveis devidamente apoiados. Em conclusão. Em vez de nos dedicarmos exclusivamente à produção daqueles produtos em que nos destacamos pela sua qualidade comprovada face aos prémios obtidos em certames internacionais da especialidade, passamos a vida a subsidiar projectos que não têm a mÃnima viabilidade de ganharem mercado nem interna nem externamente, contribuindo apenas para o enriquecimento de alguns dos autores desses mesmos projectos.





Completa e totalmente de acordo. Quando se falou em tempos que a adesão à CEE iria a curto e a médio prazo “rebentar” de vez com as pequenas e médias empresas; Que iria acabar com o o sector das pescas, com o sector conserveiro, com as industrias do vidro, vestuário e calçado, tudo porque os políticos não souberam (quiseram) aplicar devidamente os fundos estruturais postos à disposição do país para a sua reformulação e modernização, antes deixando que ladrões, vigaristas e oportunistas sem escrúpulos se lançassem, qual abutres esfaimados, sobre as verbas vindas de Bruxelas… AQUI DEL-REI que aí estão os profectas da desgraça blá,blá,blá.
Estamos agora metidos numa camisa de onze varas: Já não há mais dinheiro de mão beijada e não há nada que se tivesse feito enquanto houve. A curto/médio prazo vamos começar a provar o veneno que criámos, sendo que os primeiros sintomas estão já a fazer-se sentir.
VIVA O CARNAVAL!
Um @bração do
Zecatelhado