Primeira-dama Cristina Kirchner vence eleição na Argentina
Outubro 29, 2007 de jodoas
A primeira-dama argentina, Cristina Kirchner, 54, deve assumir em Dezembro a Presidência no lugar do marido, Néstor Kirchner, após ser a primeira mulher eleita para o cargo no país.
Com mais de 75% das urnas apuradas, Cristina possui cerca de 44% dos votos, contra 23% da centro-esquerdista Elisa Carrió e 17% do ex-ministro da Economia Roberto Lavagna.
De acordo com as leis eleitorais argentinas, ela precisaria de 40% dos votos e uma vantagem de 10% sobre o segundo colocado, ou 45% dos votos, para ser eleita no primeiro turno.
“Quero convocar todos sem rancores, sem ódios. Nós merecemos um país melhor”, disse para simpatizantes a vencedora, chamada por muitos de “Hillary Clinton argentina”.
A primeira-dama Cristina Kirchner entra em carro após votar na cidade de Río Gallegos
Os vestidos da senadora e suas bolsas também provocam comparações com Evita Perón, outra primeira-dama argentina com influência política e na moda. A senadora rejeita tais comparações. ‘Eu não quero ser comparada com Hillary Clinton ou com Evita”, diz ela.
O próximo mandato presidencial na Argentina começa no dia 10 de dezembro. Os principais desafios da próxima administração deverão ser económicos, já que será necessário enfrentar a inflação e a crise energética, consideradas produtos das políticas de Néstor Kirchner.
A crise energética influi na produção, nos preços e pode frear o desenvolvimento e crescimento económico.
Além da economia, outro problema grave é a corrupção, considerada endémica na Argentina.
Cristina também terá de trabalhar para manter o equilíbrio entre a aliança estratégica com a Venezuela e a melhora na relação com os Estados Unidos, como prometeu a senadora.
Popularidade
Grande parte da popularidade de Cristina se deve ao seu marido, que assumiu em 2003 um país que lutava para se recuperar da grave recessão económica e da crise política.
O crescimento, sustentável, previsto para 2007 na Argentina é de 8%, bem acima dos países vizinhos. Nos quatro anos da administração actual, o desemprego caiu de cerca de 25% para aproximadamente 8%.
A proporção da população vivendo abaixo da linha de pobreza, foi de 53%, quando Kirchner assumiu, para cerca de 26% actualmente. As indústrias argentinas hoje funcionam no limite de suas capacidades, dado o consumo impulsionado pelas políticas do actual governo.
Kirchner também fomentou políticas de direitos humanos, investindo nos julgamentos dos militares –e até de um capelão– envolvidos em crimes durante a ditadura e realizou reformas na Suprema Corte do país.
Tais medidas agradaram amplamente a população, fazendo com que ganhasse popularidade.
Os cerca de 27 milhões de eleitores também votaram para eleger senadores e governadores. O vice-presidente Daniel Scioli foi eleito governador da Província de Buenos Aires.
Cristina deve ser a segunda presidente argentina. A primeira delas, Isabel Perón –que casou-se com Juan Perón após a morte de Evita– era vice-presidente quando o marido morreu, em 1974, e ocupou o posto por 20 meses antes de ser deposta por um golpe militar.
da Folha Online
Não deixa de ser interessante a evolução que se regista a este nível nos países da América Latina




