E nesta altura são inúmeros os que estão com a corda na garganta. Se é certo que na última década as políticas de governação foram absolutamente catastróficas o que levaram ao individamento não só das famílias como do próprio Estado, muitas das vítimas são culpadas da sua situação económica para a qual só eles próprios contribuiram. Com excepção daqueles trabalhadores e são uns largos milhares que de repente se viram sem emprego porque a unidade fabril invocando falência encerrou a actividade, outros portugueses há e são muitos que continuam com o seu emprego mas estão com enormes dificuldades económicas. E se atentarmos nalguns que até possuem um rendimento mensal acima da média só podemos concluir que foram ingenuamente enganados pelo facilitismo que lhes foi proporcinado pela banca através da concessão de cartões de crédito. E não é de hoje já há bastantes anos que vou constatando isto quando vou às compras a uma grande superfície. O cliente que se encontra na caixa para efectuar o pagamento dos produtos que adquiriu e transporta no respectivo carrinho de compras a abarrotar de produtos e puxa da carteira, são exibidos vários cartões de crédito que vai um por um entregando à operadora da caixa que o vai informando que aquele já não permite a operação. E por vezes só ao 3º. ou ao 4º. cartão exibido é que lá consegue realizar o pagamento das compras assinando o respectivo talão. Claro está que a Banca não existe para nos facilitar a vida mas sim para nos prejudicar. Pessoalmente nunca embarquei nessas ofertas de cartões de crédito e embora tenha recebido vários na respectiva caixa do correio, destruiu-os sempre não aderindo nunca a qualquer uma deste tipo de ofertas.
Também faço parte do universo daqueles que trabalham por conta de outrém e que o único rendimento de que disponho é exactamente proveniente disso. O único apartamento que possuo e que está praticamente a liquidado através de emprestimo bancário, foi adquirido usado e na altura em que dois filhos de tenra idade viviam a expensas dos pais apenas um dispunha de quarto visto tratar-se de um apartamento de 3 assoalhadas e o mais novo dormiu sempre numa sala, não teve esse privilégio com pena minha. Hoje passados que foram 32, já sobra uma divisão. É certo que tive exactamente a mesma possibilidade que tiveram várias pessoas que conheço de dar um quarto a cada filho se para isso tivesse mudado de residência mais do que uma vez. Como se sabe a especulação imobiliária registou um significativo aumento a partir dos anos 80 e todos quantos resolveram optar por comprar habitação consentânea com as necessidades do seu agredado familiar viram as suas prestações crescerem exponencialmente. Do meu ponto de vista isso deveu-se não a políticas governamentais mas a más gestões dos orçamentos familiares. Mas muita gente não se ficou por aqui. Ao mudar de habitação e quando os preços dispararam significativamente em vez de pedir apenas o empréstimo para pagá-la, pediram um valor superior e com ele compraram automóvel novo, aumentando assim o encargo da prestação. E o resultado é aquele que todos sabemos. Muita gente está em graves dificuldades económicas mas devem essa responsabilidade a si próprios porque embora mantenham o seu rendimento mensal fruto do posto de trabalho que nunca esteve em causa nem em risco, meteram-se em cavalarias altas a fazerem uma vida para a qual nunca tiveram condições económicas para o fazer, mas vêm agora queixar-se. Como anteriormente refiro os únicos portugueses que me merecem reflectir profundamente sobre as suas dificuldades resultantes da perda do seu emprego e nalguns casos o próprio casal que trabalhava na mesma unidade fabril e de repente se viram privados de qualquer fonte de rendimento, a minha total solidariedade para com o seu drama. Todos aqueles que nunca se viram privados das suas fontes de rendimento mas que viveram durante vários anos acima das suas possibilidades iludidos pelos cartões de crédito que transportam na sua carteira, merecem-me pena pela sua irresponsabilidade em criarem uma falsa ilusão a terceiros das suas possibilidades. E não é com esses que o Governo se deve preocupar é com aqueles que perderam completamente as suas fontes de rendimento por perda de emprego.












existe algum banco que se contente com uma bucha?
Existe muita, muita vigarice por parte da banca. É certo que há muita ingenuidade e desleixo nas pessoas, mas a ciaganagem da banca promove-a.
A conta-ordenado, por exemplo, é oferecida a quem vive no fio da navalha. De um dia para o outro (e apenas uma vez), o cliente vê-se com dois ordenados na conta. É preciso ser-se extremamente rigoroso para não gastar o segundo ordenado. Mas invariavelmente ptraticamente todos o gastam. Em suma, ficam o resto da vida a pagar juros desse dinheiro que o banco lhes adianta todos os meses.
E não esqueçamos, caro Raul, as giga-jogas dos juros, o roubo do milénio.