Arquivo de Abril, 2004

1º. de Maio molhado

Tinha hoje comentado com pessoas amigas que tinha a convicção que a comemoração do 1º. de Maio este ano seria, face ao descontentamento popular, na dimensão do realizado em 1974, ou seja, com maior participação das massas trabalhadoras que coloriram o Estádio 1º. de Maio há 30 anos. Uma vez que a chuva resolveu começar a cair e copiosamente, julgo que será um motivo de que me irei enganar.

Os padrastos do défice afinal foram mal sucedidos pelas madrastas

Ainda o plenário de hoje na assembleia, face à intervenção do Secretário Geral do Partido Socialista, o nosso 1º. ministro aproveitou a oportunidade para em contra-ataque referir que Guterres, Ferro e Sousa Franco tinham sido os padrastos da economia portuguesa e como tal não lhes assistia qualquer direito para se pronunciarem sobre essa matéria. Claro está que o senhor primeiro ministro se precipitou, pois se os padrastos da crise como ele referiu, estão assistindo a que as madrastas que os substituiram, estão a realizar um pior desempenho na condução económica do País é óbvio que lhes assiste todo o direito de o contestarem e alertarem para a necessidade de reverem todas as suas políticas sob pena de se registar um verdadeiro colapso.

Da diplomacia aos negócios

Todos nos lembramos no país 25 de Abril do comportamento do ex-embaixador dos EUA, Frank Carlucci, no nosso País. Pois este senhor ao que consta depois de terminar a sua carreira diplomática faz parte do consórcio que está na corrida para a compra da Galp Energia, na percentagem detida pelo Estado. Hoje no parlamento os ânimos exaltaram-se face à denúncia de Francisco Louça, no favorecimento que o Governo está a fazer ao consórcio Carlyle, através da CGD. Se bem me recordo foi o conselho de administração da referida instituição bancária do Estado recentemente empossada pelo actual executivo e por mais que o primeiro ministro venha a dizer que a dita instituição não tinha que lhe dar conhecimento dos apoios económicos que eventualmente vai dar ao dito consórcio, ninguém é ingénuo ao ponto de acreditar que tal afirmação pode corresponder à verdade. Tanto mais que o elo de ligação é nem mais nem menos que o ex-ministro dos negócios estrangeiros Martins da Cruz, que recentemente representou Portugal na Africa do Sul nas comemorações do fim do apartheid. A irritabilidade do senhor 1º. ministro hoje no hemiciclo não me surpreendeu, não pelo facto de exigir provas a Francisco Louçã do que acusou, pois é óbvio que ninguém pode provar determinado tipo de procedimentos de favorecimento como é o caso porque as pessoas envolvidas são todas do mesmo grupo partidário mas a evidência dos factos saltam à vista. Pelos vistos o ex-ministro Martins da Cruz deve estar tal como Carlucci a preparar a sua transição de diplomata para o mundo empresarial. E ainda dizem que os funcionários do Estado ganham mal. Mas pelos vistos isto também vai acontecendo com outros paises, como é o caso dos EUA, onde um seu ex-embaixador se transformou em empresário, que até é candidato à compra de mais de 40% do capital do uma empresa pública, e ainda por cima aconselhado financeiramente por um Banco Português. Isto não há dúvida que é a prova de um soma e segue.

Período apolítico do 1º. Ministro

Hoje ficamos todos a saber que o nosso primeiro ministro se encontra no período apolítico do seu mandato. Mas isso até é
compreensível.
Depois de ficarmos a saber que o vice-presidente da Câmara de Gondomar, com conhecimento obviamente do presidente, pois não passará pela cabeça de ninguém que a concessão de licenças aos empreiteiros a troco de dinheiro que se destinava a subsidiar o PSD local, fosse do desconhecimento do mesmo. Compreendemos pois o embaraço em que se encontra o 1º. Ministro que ultimamente tem sido confrontado com situações demasiado comprometedoras patrocinadas por alguns dirigentes do seu partido. E como se isto não bastasse apareceu já outra muita recente que é a NetSaude, que serviu de tema ao debate hoje, no parlamento e que proporciona aos médicos que são consultados por essa via a terem as mais valias resultantes de “chamadas de valor acrescentado”. Estamos pois perante um total descalabro governativo para o qual não se vislumbram soluções nem de curto nem médio prazo.

Antigamente dizia-se de pequenino se torce pepino

Antigamente era usual dizer-se quando uma criança manifestasse atitudes menos correctas, que de pequenino se torce o pepino, ou seja uns açoites a certas exigências aplicados ás criancinhas, tinham sempre um resultado positivo na redução do grau de exigência que então era feita.
Isto vem a propósito da abordagem na imprensa escrita já algum tempo das preocupações de certos estudantes. Consiste isso na opção que os jovens fazem na utilização de roupas de marca, sapatos de marca, telemóveis top de gama, leitores portáteis de CDs, em suma vários tipos de acessórios e adereços, isto com o objectivo de se afirmaram junto dos seus colegas ou amigos, numa total demonstração de vaidade. Ao nível da escola ao que se afirma existe até uma certa competição entre os grupos que se formam com vista a tentarem demarcar-se quanto à qualidade dos artigos usados por forma a elevarem o seu estatuto. É evidente que não possuindo os jovens recursos financeiros para satisfazerem estes caprichos é óbvio que serão os pais a alimentarem-nos. Estamos certos que haverá os que terão possibilidades económicas para o poderem fazer mas haverá outros que não, mas que continuam a satisfazerem a vontade de seus filhos, adquirindo-lhes os artigos. Se é certo que isto é um problema que diz exclusivamente respeito a quem subscreve este tipo de exigências, não é menos certo que não é por essa via que os pais dos jovens que lhes satisfazem estes caprichos conseguem deles um melhor aproveitamento escolar, antes pelo contrário. Isto permite-nos concluir que os portugueses que já se tornam vaidosos na sua maioria, pelos títulos académicos que detêm, ao exibi-los em qualquer momento ou circunstância, estão a transformar os seus filhos, alguns até de tenra idade nuns vaidosos, exibicionistas.

Sabujice do futebol beneficia partido

Os resultados da investigação no âmbito do processo “apito dourado” vão surgindo e as conclusões divulgadas, são cada vez mais interessantes, confirmando-se a tese da juíza Maria. José Morgado que o desporto rei está conluiado com a política. Ao que se apurou nestas manigâncias que envolvem empreitadas e respectivos empreiteiros, sobraram uns apoios financeiros para o PSD que como é óbvio foram patrocinados pelos autarcas que estão iniciados em vários crimes. O curioso e que o 1º. ministro já se
manifestou quanto à manutenção da sua confiança no pessoa de Valentim Loureiro, o que diga-se de passagem só lhe fica bem pois não é justo que o major seja o único responsável por estas formas de financiamento ilícito do partido e portanto ao ser assumida pelo respectivo líder a confiança política de um seu dirigente, estamos perante a repartição da responsabilidade no respectivo acto. Portanto não nos podem restar dúvidas de que o desfecho deste processo será no sentido de não se conseguir cortar o mal pela raiz e assim vai continuar o futebol, dirigido por agentes ligados à política e que servindo-se do exercício desses cargos acabam por indirectamente beneficiarem os partidos que representam através desta forma ilícita de financiamento, para além obviamente da concretização de outros objectivos que servem alguns clubes de futebol. Estes últimos acontecimentos constituem razões suficientes para se formularem opiniões cada vez mais abonatórias em relação á qualidade dos militantes do partido maioritário que sustenta o governo.

O que temia está acontecer

Desesperados com a perda do controle das principais cidades iraquianas as tropas da coligação ou melhor os EUA, acabaram por recorrer aquilo que já o havia previsto. Bombardear ferozmente a cidade iraquiana que já se encontrava sitiada em que se aguardava a deposição das armas por parte das respectivas milícias envolvidas nos conflitos. O que se pode esperar disto senão o morticínio indiscriminado de vítimas civis para juntar há lista já longa de 11.000 iraquianos mortos desde que o ocupação se registou. E ainda há quem estranhe não ver nenhum membro da administração Bush tomar uma posição firme cada vez que Israel resolve através de raids liquidar dirigentes palestinianos ou pura e simplesmente matar crianças indefesas. Claro está que esta atitude só pode causar nos iraquianos, além da morte de mais uns quantos milhares, uma maior revolta contra os invasores e vai servir ainda de pretexto para que não seja possível preparar a transição do poder em Junho para as forças políticas mais representativas dos iraquianos. Entretanto no terreno os abutres (empresas convidadas na recuperação do Iraque), iniciam o saque e a pilhagem da riqueza ainda existente, sacrificando alguns dos trabalhadores que conseguirão aliciar, e que acabarão por ser vítimas de ataques bombistas.


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  • RT @fernando_cabral Blogger da Geórgia explica ataque ao twitter http://bit.ly/Oybo5: Fica assim provado que os russos são uns tipos porreir 7 years ago
  • não a favoreceu. Bem longe disso. 7 years ago
  • Isto por aqui está desinteressante, ninguém aborda ninguém, por falta de tema desafiante, adeus e passem muito bem 7 years ago
  • Será que a ideia de rasgar, vai contemplar o plano tecnológico, para que Portugal possa ficar, mais atrasado no resultado lógico 7 years ago
  • a compra de de tamiflu que nem sequer está aconselhado para combater esta estirpe 7 years ago

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