A justificação era dispensável

Apressou-se ontem o ministro das Finanças a tentar justificar a razão porque nomeou a sua colega de partido Celeste Cardona para presidente do Conselho de Administração da CGD, julgando que com essa explicação convenceria quem o ouvisse. Engano o seu. Já toda a gente percebeu neste País que não são necessários critérios especiais de avaliação técnico-profissional para colocar destacados militantes em cargos da Administração Pública. Não é necessário no actual quadro governativo ter competência nem qualificação profissional para ocuparem lugares bem remunerados acrescidos de outras regalias. Convém recordar para quem não saiba que a CGD, nasceu de uma estrutura financeira existente nos CTT que se designava Caixa Económica Postal, cujo controle de conta já nessa altura era realizada através de uma caderneta onde eram registados todos os movimentos do titular. Este banco estatal teve um enorme crescimento e foi até há bem pouco tempo aquele que mantinha o 1º. lugar no ranking dos que maiores lucros de exercício registavam, fazendo com que os banqueiros privados mantivessem uma apetência incomum na sua aquisição que nunca lhes foi proporcionada por nenhum dos governos. Todavia a partir de determinada altura e porque passou a servir a CGD de refúgio para alguns dirigentes políticos que já haviam passado por governos anteriores, perdeu para um banco privado o 1º. lugar nos lucros registados talvez porque a partilha dos mesmo passou a ser realizada a partir dos chorudos vencimentos que são praticados pelos membros do Conselho de Administração. Aliás para se gerir uma estrutura destas não parece que seja necessário que os gestores tenham de ser excepcionais porquanto como sabemos a banca de uma maneira geral a partir da introdução há alguns anos do crédito à habitação, passou isso a traduzir-se na verdadeira galinha dos ovos de ouro. Sem que esta transacção represente qualquer risco dado que o dinheiro emprestado é absolutamente garantido por uma hipoteca que é feita no acto da escritura a qual é accionada a partir do momento que as prestações deixam de ser pagas, cujo contencioso interpõe a acção de penhora. Cobrando o banco não só o valor emprestado como todo o outro que tiver sido investido na compra do imóvel ou fracção. É de tal maneira um negócio tão lucrativo que consegue cobrir os prejuízos de milhões de euros resultantes do chamado crédito mal parado realizado noutras operações ditas de risco, como sendo o chamado crédito pessoal. Só espero é que não se atrevam os actuais governantes também a vender a CGD.

2 Responses to “A justificação era dispensável”


  1. 1 LetrasAoAcaso Setembro 28, 2004 às 9:22 pm

    Caro amigo Raúl, eles são capazes de venderem as mães.
    Sabe que para criarem o fundo para os ex-combatentes venderam um terreno?! – E ainda dizem que isto não é surrealismo!
    Abraço e faço votos para que o amigo esteja bem e o netinho tb.

  2. 2 carlos a.a. Setembro 29, 2004 às 6:03 pm

    O interessante, estimado Raúl, é questionar por que terá o Sr. Ministro tido necessidade de explicar quando é tão a vesso a dar explicações.

    Abraço


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