Arquivo de Julho, 2005

Militantes dizem que a própria esquerda cavou crise

Eleita com um programa que pregava mudanças, a esquerda acabou se igualando aos governos anteriores, segundo analistas políticos, pondo em prática uma política económica que segue à risca as orientações do Fundo Monetário Internacional, o mesmo FMI que serviu de palanque quando o PT gritava “Fora daqui o FMI!”.
Também no quesito corrupção, ao chegar ao poder a esquerda não conseguiu ser diferente. Vários de seus ícones tiveram seus nomes colocados na mesma “bacia das almas” em que se meteu o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) e suas denúncias de que aliados do PT recebiam mesadas mensais para votar projectos de interesse do Governo, no escândalo conhecido como “mensalão”, o maior do Governo petista.
“Muitos se envolveram no balcão de negócios sujos instalado pela promiscuidade do Palácio do Planalto e do Congresso Nacional, atentaram contra o Código Penal e cometeram tráfico de influência”, denuncia a senadora Heloísa Helena (PSol-AL).
Militante da esquerda, desde o movimento estudantil, a senadora foi expulsa do PT depois que voltou suas baterias contra o Governo que ajudou a eleger. Hoje, no PSol, a senadora que tem 10% das intenções de voto para presidente da República e disse está empenhada “numa mobilização popular para impedir um pacto sórdido e subterrâneo para soterrar as investigações”, de denúncias de corrupção.
Frei Betto desconfia do PT, que a exemplo de Heloísa, ajudou a fundar, e propõe que o partido de Lula abra as contas na internet. “Se houve mesmo “mensalões” e malas de dinheiro, como ficam os pobres militantes e simpatizantes que, em todas as campanhas eleitorais, contribuíram, com sacrifício, do próprio bolso?”, questionou o religioso, em artigo publicado na Folha de S.Paulo.
No Rio, militantes de partidos de esquerda assinaram manifesto contra a política económica e convocaram a população “a protestar contra o actual cenário político”. Nos próximos dias, o movimento estudantil, que foi ás ruas personificado nos “caras-pintadas” contra o governo Fernando Collor, agora volta a Brasília para pedir um basta à corrupção.
“Uma das principais causas de toda essa crise é a falta de nitidez de projeto do Governo Lula desde o seu início”, disse Gustavo Petta, presidente da União Nacional dos Estudantes, no site da entidade estudantil. “O que ocorre é que existe uma grande descrença no País com a política, principalmente por causa da corrupção”, ressaltou o líder da UNE, entidade onde passaram o prefeito de São Paulo, José Serra, e o ex-todo poderoso José Dirceu (PT-SP).
Linha de frente da esquerda que quer tomar o poder no PT, o deputado Paulo Rubem Santiago (PE) prega que “o papel do militante, e de toda sociedade, agora, é se mobilizar”. Paulo Rubem acha salutar “que a sociedade se manifeste até para sinalizar para o Congresso que não vai aceitar qualquer tipo de acordo para encobrir as denúncias”. O deputado pernambucano pede reformas no partido, que hoje está nas mãos de um conglomerado que se auto-intitula “campo majoritário” uma reciclagem da Articulação, a tendência que sempre dominou o partido e puniu com o rigor da Santa Inquisição aqueles que ousaram fugir ao controle de suas rédeas.
Vice-presidente da CPI dos Correios, o senador Maguito Vilela (PMDB-GO) não perde uma oportunidade para defender o Governo. Qualquer que seja. Muitas vezes, o senador goiano foi à tribuna fazer inflamados discursos para acusar “setores inconformados com a eleição do presidente Lula” de arquitectarem a paralisia do Governo, mas agora Maguito acusa a esquerda brasileira de ter lutado pelo poder, mas sem qualquer capacidade de administração.
“A esquerda tinha apenas um projecto político, mas não tinha um projecto administrativo para o País”, advertiu.
“A esquerda lutou muito para chegar ao poder, demorou, paulatinamente foi ganhando espaço até chegar ao Governo Federal. Quanto o povo esgotou as esperanças com relação ao centro e à direita oportunizou a esquerda com a eleição do presidente Lula”, disse o senador, que ressalta a tese de que “foi a própria esquerda que se inviabilizou porque não está, na prática, fazendo aquilo que pregou, durante as disputas eleitorais”.
Em um ponto, parlamentares, igreja e estudantes concordam. O Governo Lula, eleito sob o manto de ser de esquerda, esqueceu a renegociação da dívida externa, abandou a bandeira da redução dos juros, aumentou impostos e não conseguiu a blindagem do País contra a corrupção. “A esquerda está perdida, atónita, estonteada e o Brasil hoje assiste a esquerda governando, mas sem realizar o que pregava”, sentencia Maguito.
Mas ainda há tempo para que as esquerdas retomem seu caminho de origem e a confiança do povo brasileiro. Paulo Rubem Santiago diz que o País precisa se reestruturar e mostrar alternativas como defendia o economista paraibano Celso Furtado (1920-2004). “O presidente disse que a situação não vai se resolver com um máquina académica. O que deve se observar é a praticidade do mercado. Ora, para Lula, o mercado é um Deus, no Brasil.
Queremos inclusive abrir um canal de diálogo com economistas, mas seguramente não aceitamos a ideia de que a esquerda está perdida, porque não está”, diz.
Estudantes e políticos querem de Lula “um sinal de compromisso com o programa de mudanças” que inclui desde a negociação com os sectores sociais, como sem terra, estudantes e até a bancada do próprio PT.
“O problema é que sectores do PT conduziram o partido para eleger Lula e perderam o rumo. Nitidamente, houve uma perda de referências de quem se apropriou da direcção do partido, atropelando a bancada que, aliás, nunca teve a chance de se reunir com o presidente Lula”, reclama Paulo Rubem.
Para combater “o pacto das elites” como está sendo chamada uma articulação entre PT, PSDB, PMDB, PFL, PL e PTB, “as ruas”, segundo Petta, e “o diálogo”, conforme prega Paulo Rubem, são alternativas em curso. As legendas que tiveram parlamentares citados como operadores ou recebedores do “mensalão” arquitectam um acordo para inocentar parte expressiva dos acusados.
“Isso é inaceitável. Nós precisamos nos mobilizar para fortalecer a Procuradoria Geral da República, no combate à corrupção”, disse Paulo Rubem. Entretanto, se a crise se configurar com grande impacto em função do comprometimento do presidente Lula, “os brasileiros devem ser chamados a participar de um plebiscito para que a população seja chamada a definir sobre a antecipação ou não das eleições”.

Agência Nordeste

A publicação desta notícia, visa essencialmente chamar a atenção para quem a ler das semelhanças com o que se passou com a eleição do PS e a maioria absoluta que lhe foi confiada pelos eleitores e o comportamento do partido de Lula Inácio da Silva, face aos recentes escândalos. Quando por vezes alguns políticos se referem ao Brasil como um país irmão, julgo que se querem referir apenas as semelhanças, porque noutras, nas positivas, em que o Brasil nos leva a dianteira, aí não existe qualquer hipótese de comparação.

Já não se pode escolher um local recatado para esvaziar a bexiga

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Tem logo que aparecer um paparazi a bater uma foto.

E desta também se lembram

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Eram aquelas que asseguravam o transporte de passageiros para o médio e longo curso. Algumas deitavam uma fumarada pelo escape que impressionava.

O presidente Lula embora continue a manter a sua popularidade está sendo alvo de muitas críticas por certos procedimentos dos seus directos colaboradores

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O Dia Online

E isso vai sendo motivo para alguma chacota por parte da comunicação social brasileira

Irlandeses não têm muito o que comemorar

A promessa do IRA em acabar com sua campanha sangrenta de violência de 36 anos, respingada em dezenas de jornais matinais de Belfast, não mudou nada na verdade, dizem alguns habitantes daqui. Explosões e ataques de larga escala acabaram principalmente com o cessar-fogo do grupo em 1994, disseram, mas a violência de baixa escala e o crime organizado continuaram.
“Está a mesma coisa que uma semana atrás, um mês atrás, um ano atrás”, disse Anthony McIntyre, ex-membro do IRA que escreve frequentemente sobre as políticas irlandesas. O IRA “continuar” com a disciplina do IRA, intimidando pessoas que se opõem a ela. Isso ainda pode fazer com que pessoas deixem de ir a clubes e não consigam arrumar emprego”.
Catherine McCartney, uma das seis mulheres que lideraram uma campanha internacional para destacar a violência do IRA depois de membros do grupo terem matado seu irmão, disse estar surpresa em ouvir o que chamou de reações “eufóricas” em relação ao divulgado pelo primeiro ministro da Inglaterra, Tony Blair, e pela irlandesa Bertir Ahern.
“Eu pensei: “Será que eles tomaram pílulas para amnésia, ou o que?”, disse McCartney. “Isso não é histórico. Só será histórico se for colocado em prática”.
Apesar do ceticismo alastrado, alguns resultados tangíveis foram imediatamente visíveis. O governo britânico prometeu uma legislação que permitiria aos desertores do IRA fora do país a voltarem para casa sem medo de se submeterem a processos.
Em Armagh, região rural na fronteira com a República Irlandesa onde o apoio ao IRA sempre foi muito forte, o exército inglês começou a desmantelar uma base militar e duas das torres de guarda no alto da montanha que, por uma geração inteira, usaram equipamentos sofisticados de vigilância para espionar a privacidade das pessoas.
O exército inglês, que possui mais de 10 mil soldados na Irlanda do Norte, removeu uma quantidade similar de instalações nos últimos anos.

The New York Times

17:45 30/07

Brian Lavery

O modelo fracassado

Já assim foi na ditadura
Que muitos com uma vida dura
No intuito de sobreviver
Embarcaram na aventura
Emigrando porventura
Sem saber como viver

Foram muitos os países
Sem regras nem directrizes
Que fizeram o acolhimento
Onde já criaram raízes
E se sentem muito felizes
No seu próprio convencimento

Foi por culpa duma política
Onde nem sequer a critica
Era permitido utilizar
Hoje, embora consentida
No uso da mesma política
Que estes estão a copiar

A do capitalismo selvagem
Sem regras nem restrições
Permitindo uma voragem
Limitando as aspirações

De todos quantos ansiaram
Por uma vida melhor
Muitos afinal confiaram
Quando tudo está pior

Do ensino à saúde
Da justiça à injustiça
Constatamos amiúde
Neste País da cobiça

Só nos resta a alternativa
De recorrer à emigração
Não confiando nesta intriga
Que já não tem solução

Esta política fracassou
E os actores são os culpados
Pois o que se verificou
Foi o aumento dos ricaços

Que importa a Constituição
Reconhecer nossos direitos
Se ninguém tem contemplação
São visíveis os efeitos

Mas dispomos duma arma
Que querendo podemos usar
Para acabar com esta trama
Vamos deixar de votar

Publicado também no “Editorial”

Não é verdade Manuel Alegre, contrariamente ao que afirma, não está sozinho

Pode efectivamente estar em relação à militância do PS, que nem sequer nisso acredito, mas não está em relação aquele eleitorado que tem muito mais expressão do que o número de militantes do partido.
Aqueles que afinal são a força que elege.
Se os partidos dependessem da sua militância para ser alguma coisa na vida, nunca seriam nada.
Quem tem expressão eleitoral são os anónimos embora depois de eleitos se limitem a compensar os militantes que mais directamente se envolveram nos apoios.
Este insignificante blog, a semana passada, apoiou a sua candidatura à Presidência da República, tendo posteriormente retirado essa forma de apoio, quando a comunicação social fez constar que Mário Soares seria o candidato apoiado pela direcção do partido.
Foi só por essa razão que deixou de merecer destaque o apoio deste blog.Não fazia qualquer sentido estar a apoiar alguém que nunca seria candidato.Mas estarei disposto a voltar a colocar esse apoio caso a candidatura se concretize.


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  • RT @fernando_cabral Blogger da Geórgia explica ataque ao twitter http://bit.ly/Oybo5: Fica assim provado que os russos são uns tipos porreir 7 years ago
  • não a favoreceu. Bem longe disso. 7 years ago
  • Isto por aqui está desinteressante, ninguém aborda ninguém, por falta de tema desafiante, adeus e passem muito bem 7 years ago
  • Será que a ideia de rasgar, vai contemplar o plano tecnológico, para que Portugal possa ficar, mais atrasado no resultado lógico 7 years ago
  • a compra de de tamiflu que nem sequer está aconselhado para combater esta estirpe 7 years ago

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