Arquivo de Janeiro, 2007

Euforia na abertura do novo ano judicial

A avaliar pela reportagem hoje transmitida pela televisão pública estão os agentes da justiça muito esperançados face ao facto de haver um novo Presidente da República, um novo Procurador Geral da República e mais umas três personalidades ligadas ao sector como se efectivamente fosse isso motivo suficiente para tanta euforia de molde a podermos acreditar na mudança que todos desejamos mas que tão cedo não iremos assistir, da justiça em Portugal. É como se pudesse-mos acreditar que amanhã um determinado serviço público a funcionar mal e tantos há por este País melhorasse com o simples facto de colocarem lá um director de serviços muito competente.

Atenção bloggeres aos spams que atacam os vossos blogs e os tornam inacessíveis

De algum tempo a esta parte venho notando que em certos blogs de amigos aos quais tento aceder, faço-o com uma enorme dificuldade, muito provavelmente porque os spams neles são introduzidos o impedem. Logo que tive oportunidade de colocar um
anti-spam neste blog fi-lo e até este momento foram já bloqueados 6. Aconselho por isso a todos quantos ainda não optaram por este recurso a fazê-lo, para facilitarem aos seus visitantes um acesso mais rápido o que não acontece se os seus blogs estiverem afectados com spams.

Palavra de rei não volta atrás

O colectivo de juízes do Tribunal de Torres Novas, numa solução de remedeio pela condenação do pai adoptivo da Esmeralda que mobilizou grande parte da população no apoio na tentativa de
anulação da sentença de prisão, encontrou uma saída airosa para resolver esta questão, mantendo a custódia da menina com os pais adoptivos desde que estes reconheçam o direito ao pai biológico de visitar a filha sempre que o entenda, admitindo no caso de aceitação desta solução a libertação imediata do sargento detido. Como se constata estamos perante uma prova de que palavra de rei não volta atrás e até se encontram soluções de remedeio, com atitudes demonstrativas de quem quer pode e manda.

A publicidade enganosa que nos entra a qualquer hora em casa deveria ser proibida

Todos os dias e a qualquer hora nos entra em casa pelos canais de televisão publicidade enganosa a qual não deveria ser permitida mas tal acontece porque a entidade responsável pela defesa do consumidor, não actua como tal. Estou-me a referir aos anúncios da Banca que oferecem tudo e mais alguma coisa mas nada disso corresponde à realidade, porque esta é bem diferente quando o cliente estabelece o contrato com a entidade bancária escolhida e este começa a vigorar. De resto desengane-se quem pense que a Banca oferece seja o que for. A Banca vende o dinheiro parte dele dos depositantes a prazo, aos quais paga um juro baixo e permite-se com as aplicações dos clientes, arrecadar lucros elevados com parte desse dinheiro, cobrando juros muito acima dos 20%, porque embora exista uma entidade reguladora e responsável pela actividade bancária que julgo ser o Banco de Portugal, este não estabelece qualquer tecto a partir do qual não deveria ser permitido à Banca cobrar valores tão elevados pelos juros do crédito pessoal que concedem aos seus clientes. Deveria por isso ser proibida a publicidade enganosa que todos os dias e a qualquer hora nos entra em casa através dos canais de televisão que a transmitem.

Será Meneses uma alternativa forte à actual liderança do PSD

Não me parece. Por não ser militar de qualquer partido, mais ainda que fosse, julgo que nos assiste sempre o direito de emitir a nossa opinião quer se concorde ou não. O actual presidente do PSD Marques Mendes já demonstrou não só a vários dos seus militantes como aos portugueses em geral que não foi uma boa escolha para liderar o agora maior partido na oposição porque simplesmente não a sabe fazer. Os argumentos são fracos e alguns dos quais assemelham-se ao desaparecido cassete Cunhal. Tem sido aliás a sua postura que em nada tem contribuído para o partido subir, face às ultimas sondagens, na intenção de voto dos portugueses.
Mas muito sinceramente o seu mais directo opositor Filipe de Meneses, está longe mas mesmo muito longe de me parecer ser uma alternativa à liderança deste partido porquanto revela muitas semelhanças a Santana Lopes. Muita parra e pouca uva, como se viu
desde a sua ascendência a Presidente do partido imposto pela Direcção Política até ao seu desastroso desempenho do cargo de 1º. Ministro.

O meu aplauso pela coragem do testemunho do Padre Mário de Macieira da Lixa sobre o Aborto

Causou algum sobressalto na comunicação social e no país a posição do Bispo de Viseu sobre o próximo referendo. Ilídio Leandro quebrou a muralha de aço do unanimismo que tem sido o discurso moralista da hierarquia eclesiástica católica sobre o assunto. Admitiu votar SIM no referendo à Lei de despenalização do aborto, se a pergunta fosse só sobre isso. Mas o Bispo entende que não é e, por isso, vai votar NÃO. Com alguns remorsos na consciência, acrescento eu, porque o seu coração, a julgar por algumas palavras que ontem proferiu no decorrer de um debate, está com as mulheres que abortam, nomeadamente, as mulheres dos bairros degradados e de famílias destroçadas, desempregadas e quase obrigadas a prostituir-se, pelo menos, ocasionalmente, para assim poderem sobreviver e garantir a sobrevivência dos próprios filhos ainda pequenos. Vejam o que, a este propósito, escreve hoje a Agência Eclesia: “Num debate na Escola Superior de Educação, em Viseu, o bispo disse que no contexto da lei actual – com as três situações que já permitem o aborto – e que se a pergunta fosse apenas se «aceitava que a mulher fosse despenalizada, eu votaria sim». E acrescenta: «normalmente a mulher é a vítima destas situações porque é abandonada pela sociedade e Estado – ausência de apoios – muitas vezes também pelo companheiro, e o profissional de saúde aceita esta prática para ter benefícios».

Ora aí está. Um bispo que pensa e sente assim, se depois vota NÃO no referendo à lei que despenaliza o aborto realizado dentro das primeiras dez semanas de gravidez, só pode votar com remorsos. Porque não está a ser consequente nem coerente com o seu pensar e sentir. Tem à sua frente a possibilidade de contribuir para libertar as mulheres que abortam do pesadelo duma lei, como a actual, que, se for aplicada, as penaliza, concretamente, pode mandá-las para o tribunal e até para a cadeia, e depois, devido a um mecanismo cruel que ainda perdura indevidamente na sua consciência, em resultado de catequeses terroristas do passado e do presente feitas por homens de proa da Igreja católica que nunca puderam casar nem ter filhos, pelo menos, assumi-los publicamente como seus, recusa dar esse seu contributo. Quem assim só pode ficar com remorsos. Comete o que se pode chamar um pecado de omissão. Não leva até ao fim o seu sentir e o seu pensar. Não é consequente nem coerente. Não é capaz de pôr as mulheres de carne e osso à frente do Moralismo, como sempre faz Jesus, o de Nazaré.

Por mim, entendo que são ainda as catequeses terroristas do passado, concebidas e ensinadas na Igreja católica pelo seu clero à revelia do Evangelho de Jesus e brutalmente reproduzidas na actualidade pelos Movimentos de católicas e católicos defensores do NÃO à Lei de despenalização do aborto, que continuam a condicionar a consciência do Bispo de Viseu e a impor-lhe uma opção que ele próprio já sente como cruel e indefensável, mas que, mesmo assim, diz que irá ser a dele. Só posso ficar com pena do Bispo. Afinal, ele está à beira, nesta opção concreta, de se tornar cristão jesuânico e não é capaz de dar o salto. Opta por permanecer no grupo dos fariseus católicos contra as mulheres que abortam, embora já não seja daqueles que se apresentam com pedras na mão para lhes atirar. Francamente, não gostaria de estar na pele dele.

Bem sei que o preço a pagar, inclusive dentro da Igreja católica romana, por nos tornarmos discípulos de Jesus, o de Nazaré, é muito elevado. E muito mais para um bispo católico residencial, como é o caso em questão. Mas só assim é que se nasce do Alto, do Espírito Santo. E o que eu mais posso desejar para os meus irmãos bispos é que eles aceitem nascer do Espírito Santo. Como Jesus nasceu. Que todos eles sejam baptizados no Espírito Santo. A água baptismal eclesiástica, por mais benta que se diga, não faz mulheres e homens libertos para a liberdade. Não faz nascer em nós entranhas de humanidade. O mais que consegue fazer – e hoje, já cada vez menos, felizmente – são funcionários eclesiásticos que presidem a cultos litúrgicos rotineiros e sem Liturgia que só servem para alimentar deprimidos e pessoas politicamente resignadas e conformadas.

O sobressalto causado pelo Bispo Ilídio Leandro não passou disso. Fez-nos conter, por breves instantes, a respiração. Mas quando íamos cantar e dançar de alegria por, finalmente, termos um bispo cristão jesuânico, também neste campo da prática da despenalização do aborto, o que tivemos foi mais um aborto. Um aborto no seu processo de libertação para a liberdade. Um processo que assim foi abruptamente interrompido. O Bispo não teve a coragem de ser consequente e coerente. Com isso, deixou triste o Espírito Santo. Como aquele homem dos Evangelhos Sinópticos a quem Jesus convidou a vender tudo o que possuía e a dar o dinheiro aos pobres para depois o seguir. O homem não foi capaz. E Jesus ficou triste. Assim como o homem em causa.

São abortos deste tipo que mais entristecem o coração de Deus. Quando o Espírito está à beira de conseguir fazer de um funcionário eclesiástico ou outro um ser humano com entranhas de misericórdia e de humanidade e ele, por falta de audácia, interrompe o processo e recusa dar o salto em frente, é a Humanidade toda que sai prejudicada. O funcionário em causa garante a continuidade dos privilégios com que o Poder (um demónio, no dizer da linguagem mítica do Evangelho) o mimoseia, por o servir incondicionalmente, mas não se desenvolve em humanidade, em liberdade, em alegria, em paz. E todos os demais seres humanos perdemos com esta perda. Nunca tinham pensado nisto? Pois pensem, que é por aqui que passa o nosso futuro, como Humanidade.

O Bispo de Viseu chegou a falar, na sua intervenção nos telejornais de ontem nos 35 mil abortos que se cometerão cada ano em Portugal. E fala até dos profissionais de saúde que aceitam esta prática a pensar nos benefícios materiais que daí tiram. E mesmo assim, anuncia que vai votar NÃO à lei de despenalização do aborto. Vejam a crueldade em que o Bispo cai com a sua falta de audácia. Porque essa é a outra questão que a Lei que vai a referendo quer ajudar a resolver. Actualmente, as mulheres que na sua consciência decidem abortar, no período das primeiras dez semanas de gravidez, não têm outra saída que não a clandestinidade, nas clínicas privadas, no caso de disporem de dinheiro para pagar, ou nas abortadeiras e outras habilidosas, no caso de serem pobres e desempregadas, e quase sempre abandonadas pelos homens que as engravidaram. O Bispo, pelos vistos, sabe do facto real. Refere os números com precisão. E que decide? Que as mulheres continuem entregues à sua desgraça como até aqui. Não é uma crueldade? Ora, não é por a Lei ser aprovada que passará a haver 35 mil abortos/ano em Portugal. Eles existem já. Só que na clandestinidade. E nas condições de indignidade que as mulheres pobres que alguma vez abortaram bem conhecem. Ao votar NÃO à lei, o bispo fecha-lhes a porta dos hospitais, as portas da saúde pública. Como quem diz: ai querem abortar? Então abortem, mas nas abortadeiras! Nos hospitais públicos é que nunca!

Eis a crueldade no seu pior. Porque se não houvesse abortos na clandestinidade e nas condições de indignidade e de riscos para a saúde das mulheres, certamente a sociedade portuguesa não seria chamada a votar esta Lei de despenalização em referendo. Mas essa chaga social existe. É um facto. Não vale fechar os olhos a ela. Existe. E é para tentar introduzir nela uma réstia de humanidade e de dignidade humana, que a Lei de despenalização vai a referendo. E é por isso que eu, padre/presbítero da Igreja católica, ao contrário do Bispo de Viseu e de toda a hierarquia episcopal, votarei SIM no referendo. Sem hesitar. Como um acto de ternura para com as mulheres pobres do meu país!

Foi-me enviado pela amiga Julia e pela coragem aqui demonstrada deste sacerdote a quem felicito e aplaudo, aqui fica a sua transcrição

Israel destruiu parte do Libano, mas quem assume a sua reconstrução são países que nada têm a ver com essa destruição

Israel à revelia de qualquer decisão internacional, permitiu-se bombardear o Líbano, destruindo grande parte dos seus edifícios e infraestruturas, como estradas, centrais elevatórias de água, centrais eléctricas, aeroportos etc, etc. e nem sequer se dignou assumir a sua responsabilidade na reconstrução deste País ilegalmente invadido. A união europeia entregou uma elevada verba destinada à reconstrução do Líbano e Portugal também contribuiu.
Não está em causa a nossa solidariedade para com os libaneses mas sim o facto de não existir um Organismo Internacional que perante a invasão ilegal do Líbano obrigasse Israel a assumir e proceder de mediato à sua reconstrução. Igual responsabilidade deveria ser assacada aos EUA pela invasão ilegal do Iraque onde também foram e continuam a ser destruídas cidades e todas as suas infraestruturas.


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  • RT @fernando_cabral Blogger da Geórgia explica ataque ao twitter http://bit.ly/Oybo5: Fica assim provado que os russos são uns tipos porreir 7 years ago
  • não a favoreceu. Bem longe disso. 7 years ago
  • Isto por aqui está desinteressante, ninguém aborda ninguém, por falta de tema desafiante, adeus e passem muito bem 7 years ago
  • Será que a ideia de rasgar, vai contemplar o plano tecnológico, para que Portugal possa ficar, mais atrasado no resultado lógico 7 years ago
  • a compra de de tamiflu que nem sequer está aconselhado para combater esta estirpe 7 years ago

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