Idosos que tomaram o extracto de ginkgo biloba tiveram menos chance de desenvolver problemas de memória e retardos cognitivos, de acordo com um estudo publicado na quarta-feira (27) na edição online da revista científica “Neurology”. Apenas o grupo de usuários teve casos de derrame.
Produtos derivados das folhas da ginkgo biloba têm sido usados amplamente como um suplemento para dietas e são anunciados como uma forma de “turbinar” a memória e retardar o envelhecimento.
A pesquisa procurou definir o efeitos do extracto sobre a memória de 118 idosos com mais de 85 anos. Metade deles recebeu diariamente os extractos da planta e a outra metade tomou placebo durante três anos e seis meses.
Durante o estudo, 21 pessoas desenvolveram dificuldades suaves de memória: 14 delas eram do grupo que recebeu o fitoterápico e sete idosos pertenciam ao grupo do placebo. Apesar do resultado parecer favorecer os efeitos benéficos para a ginkgo biloba, os cientistas afirmam que a diferença não é estatisticamente significante.
Os autores concluíram, para esta primeira etapa, que o extracto de ginkgo biloba não alterou a chance de progressão das demências –doenças que provocam alterações na memória de curta e longa duração– nem protegeu os idosos contra o declínio da capacidade de recordar.
Entretanto, quando os pesquisadores verificaram se as pessoas realmente tinham tomado as pílulas, eles encontraram que a chance de desenvolver problemas de memória no grupo daqueles que usaram ginkgo biloba foi 68% menor do que no grupo dos que receberam placebo.
“Estes resultados devem ser esclarecidos com estudos mais amplos, mas são interessantes porque a ginkgo biloba é amplamente usada, prontamente disponível e relativamente barata”, declarou Hiroko Dodge, um dos autores do estudo, à agência Reuters.
Derrames
Os resultados do trabalho também mostram que o grupo de usuários do extracto teve maior incidência de derrames e miniderrames.
Sete das pessoas que tomavam ginkgo biloba tiveram derrames durante o estudo, enquanto ninguém do grupo do placebo apresentou a complicação.
Os pesquisadores afirmam na publicação que as razões para isso não são claras e que o resultado precisa ser confirmado por outros estudos.
Os derrames foram causados por coágulos no sangue –que interrompem a irrigação do tecido afectado– e não foram severos. Os autores citam relatos de complicações decorrentes de sangramento excessivo em usuários de ginkgo biloba, o que não ocorreu no estudo.
“Mais estudos são necessários para definir se a ginkgo biloba ajuda a prevenir os retardos cognitivos e se seu uso é seguro”, disse Dodge.
da Folha Online
Comentário:
Paulatinamente vão surgindo estas constatações que reforçam a minha cada vez maior convicção de que os produtos naturais são, contrariamente aos efeitos secundários dos medicamentos, mais eficazes e benéficos para quem os consome.