A insensibilidade das pessoas deixou-me francamente perplexo

Acerca duas horas estando a almoçar juntamente com a familia, a minha filha telefonou ao marido informando que tinha sido obrigada a parar o seu automóvel onde se transportava acompanhada dos seus dois filhos menores, defronte ao Clube Náutico  de Paço d’Arcos, em virtude duma avaria mecânica que originou o derrame de óleo na avenida marginal e a libertação de muito fumo. Assustada retirou de imediato do automóvel os seus dois filhos e afastou-se do automóvel com medo de explosão. Nenhum dos veículos que circulava na avenida marginal após esta ocorrência se dignou parar, abrandar ou no mínimo perguntar-lhe se teria necessidade de ajuda face à libertação intensa de fumo provocado pelo derrame do óleo, sobre o tubo de escape. Só passado algum tempo e depois de desanuviado o imenso fumo libertado pelo contacto do óleo com o tubo de escape quente é que apareceu o casal num veículo que parou e se propôs ajudar, face ao facto dela se encontrar com duas crianças de tenra idade junto de si. Imediatamente assim que cheguei para lhe prestar socorro e ajudá-la agradeci ao casal, que se foi embora. Foi já depois de resolvido todo o problema relativo ao reboque do automóvel e chamada dos bombeiros para procederem à remoção do óleo derramado no asfalto que poderia  ser causador de algum acidente, a minha filha me contou este episódio da manifesta falta de solidariedade dos automobilistas que durante o seu registo revelaram. Será que isto já é o reflexo do egoísmo que cada vez mais se acentua na nossa sociedade, esta crescente indiferença as pessoas face aos problemas dos outros?

Temo que sim.

5 Responses to “A insensibilidade das pessoas deixou-me francamente perplexo”


  1. 1 Vítor Fernandes Dezembro 8, 2011 às 4:44 pm

    Meu caro Raul,
    infelizmente temos de somar dois fatores
    a) o primeiro, se calhar não o mais substantivo, tem a ver com a insegurança; existe algum receio que este tipo de situações possam ser armadilhas, o que não seria a primeira vez.
    b) a segunda, para a qual me inclino mais, tem a ver com a crescente falta de solidariedade e egoísmo que grassa entre nós; repare como o “zé-ninguém” tem reagido ás greves dos “outros”; repare como não é nada com eles a redução dos 13º e 14º mês – isso é problema dos “ricos” dos que ganham mais de 600 euros; está a ver onde eu quero chegar? cada vez nos estão a empurrar mais uns contra os outros…

  2. 2 jodoas Dezembro 8, 2011 às 5:39 pm

    Estou inteiramente de acordo consigo, caro Vitor com a segunda razão dado que a primeira não me parece que fizesse muito sentido na medida em que os automóveis que circulavam atrás daquele que conduzia a minha filha se aperceberam no imediato de que a anomalia registada não tinha sido provocada. É verdade que se está a criar um clima de adversidade entre as várias camadas sociais, entre os melhor remunerados e aqueles que ganham francamente menos, que entendem que deverão ser todos aqueles cujo rendimento lhes permite viver, suportem a crise. Como tudo isto irá terminar não sei, mas admito que não será muito agradável o seu fim.

  3. 3 mfc Dezembro 9, 2011 às 11:40 am

    A indiferença é cada vez mais uma característica destas nossas sociedades ocidentais.

  4. 4 José G.Cravinho Dezembro 10, 2011 às 9:42 am

    Com mentalidade biblico-judaico-cristã,cada qual procura salvar a sua alma.
    Com o neo-liberalismo,cada qual safa-se como pode.E assim se cultiva o individualismo,o egoísmo.Há também um pormenor no comportamento dos indivíduos que quando caminham a pé na rua téem uma reacção diferente face aos automobilistas e êsses mesmos indivíduos téem uma outra reacção
    realativamente aos peões,quando são êles a conduzir um automóvel.
    No meu fraco entender,apesar do automóvel ser hoje um meio de ganhar o pão de cada dia,todavia direi que o automóvel é o símbolo do individualismo burguês,com destaque para os novos-ricos.E isto digo,não é por nunca ter
    possuído automóvel.

  5. 5 jodoas Dezembro 10, 2011 às 10:02 am

    Caro José Cravinho, concordo com a parte inicial do seu comentário não tanto com a parte final. Porquanto se existem pessoas que possuem automóveis para mero exibicionismo, algumas até para demonstrarem o tal estatuto de novo riquismo, outros há que apenas e só possuem um automóvel como o seu preferencial meio de transporte face à distância que os separa dos seus locais de trabalho das suas respectivas residências. Muita gente há que não é nem nunca foi possuidora de automóvel, mas que têm muito mais recursos que outros que os possuem. E só não têm nem querem ter automóvel porque não têm paciência nem para conduzir e muito menos para suportarem as filas de trânsito optando sempre por transportes públicos e alguns deles com um uso muito intenso de táxis. Se o facto de alguém possuir automóvel, simboliza o individualismo burgês, parece-me algo de errado porque grande parte das pessoas que os possuem estão a pagar as prestações da compra do mesmo. Muito poucas pessoas conseguem adquirir um automóvel a pronto pagamento. Mas é a sua opinião e eu respeito-a.


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