Apesar do autor sempre afirmar se identificar politicamente com o PSD esse facto não o impede na sua imparcialidade de observador

Segundo a Direcção Editorial e o Conselho de Redacção do Público, o ministro dos Assuntos Parlamentares, coordenador político e número dois do Governo, Miguel Relvas, ameaçou promover um blackout de todos os ministros ao jornal e divulgar dados da vida privada da jornalista Maria José Oliveira se uma determinada notícia viesse a ser publicada. Estas ameaças, sempre segundo os referidos órgãos, foram feitas através de dois telefonemas do ministro para a editora de política do jornal.

A acusação é tão grave, o possível atentado à liberdade de imprensa tão descarado, a alegada pressão tão infame, que não pode deixar ninguém indiferente – a propósito, espero serenamente pelos discursos sobre a asfixia democrática e pelas manifestações na Assembleia da República sobre liberdade de expressão. É que das duas, uma: ou a jornalista mentiu e Miguel Relvas nunca fez as ameaças, ou o ministro fê-las e temos de concluir que estamos perante alguém que não respeita os mais básicos valores democráticos e que não só não tem condições para ser ministro como deve ser severamente punido.

Por muito que tente, não consigo encontrar razões para que a editora do Público inventasse esta história. Mais: acho perfeitamente inverosímil que conseguisse conven- cer todos os membros do Conselho de Redacção e a Direcção Editorial do jornal de uma possível fantasia. Não será também despropositado referir a impecável reputação da jornalista em causa.

Vamos então dar como válida a versão que diz que o ministro pressionou mesmo a jornalista para evitar que a notícia saísse.

Pressionar um jornalista dizendo-lhe que não deve publicar uma notícia porque não corresponde à verdade, elevando a voz, dizendo que nunca mais lhe fará declarações ou que fará até queixa dele ao director ou ao dono do meio de comunicação social, é uma coisa. Outra, é o ministro que coordena politicamente um Governo dizer que vai impedir os outros ministros de dar informações a um jornalista. Além de passar um atestado de menoridade aos seus colegas, está a bloquear o acesso à informação a um órgão de comunicação que tem como primeira obrigação informar os cidadãos. Em qualquer democracia madura, um membro do Governo que o fizesse, nem era preciso ser uma figura muito relevante, não ficaria nem mais um minuto no seu cargo. Verdadeiramente criminoso é ameaçar alguém de que irá pôr a circular assuntos da esfera privada dum jornalista se este publicar uma notícia. É que isto tem um nome: chama-se chantagem. Nem vale a pena discorrer sobre as características de personalidade duma pessoa que possa ter feito este género de ameaças, nem sobre a possibilidade de alguém que tenha tido este tipo de comportamento ser ministro, nem sobre o possível sentimento de impunidade que tudo isto revela.

2 Responses to “Apesar do autor sempre afirmar se identificar politicamente com o PSD esse facto não o impede na sua imparcialidade de observador”


  1. 1 maceta Maio 20, 2012 às 11:38 am

    chamaram-lhe erro de casting, por acaso o tal Marcelo, mas esse cianeto consegue ser muito pior do que um qualquer erro. O homenzito é um rancoroso vingativo e incompetente.

    abraço


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