Os disparates jornalísticos arrepiam-me

Desde ouvir de quando em vez alguns deles referirem que um comboio é conduzido  até utilizar a mesma expressão na definição da pilotagem duma aeronave. Ora como é sabido neste país de ex-analfabetos, agora existem licenciaturas para todas as área e mais algumas, daí haver cozinheiros licenciados o que não me causará nenhuma estranheza que num futuro próximo também possam vir a existir licenciados em tarefas domésticas, vulgo “mulher a dias”. Mas não é disso que quero tratar porque o ridículo é de tal maneira óbvio que nem sequer merece perda de tempo. Por isso vou passar de imediato ao assunto que me levou a escrever este post ou seja os disparates dos jornalistas. Recentemente no concelho de Cascais registaram-se dois acidentes de aviação um com um mono-motor que vitimou quer o instrutor quer o instruendo caindo numa zona habitacional na localidade de Matarraque. Ignorantemente os jornalistas ao darem a notícia referiram que se tratava dum ultra-leve, ou seja um enorme disparate por os chamados ultra-leves são os planadores, as asa-delta sem motor e as com motor, isto é com uma estrutura tubular de suporte em que o piloto não possui nenhuma cabina ou carlinga. Esses sim são considerados os ultra-leves. As conhecidas avionetas mesma aqueles que ainda existem em escolas de formação de pilotos com fuselagem em tela não são nem podem ser considerados ultra-leves. Voltou a registar-se um novo acidente de aviação com um bimotor, uma avioneta de instrução, em que os dois ocupantes, instrutor e instruendo tiveram mais sorte do que aqueles do anterior acidente, não tendo perdido a vida. Pois os jornalistas continuam com o mesmo disparate na afirmação a definir as avionetas como ultra-leves. Se o conceito é compará-los aos aviões ditos de carreira comercial, obviamente que possuindo estes um peso consideravelmente superior ao de uma avioneta podemos admitir uma tal definição, mas como não podem nem devem em linguagem aeronáutica ser estabelecidas comparações, parece-me incorrecto que se continue a insistir no disparate considerando uma aeronave de instrução de pilotagem, vulgo avioneta, um ultra-leve.

3 Responses to “Os disparates jornalísticos arrepiam-me”


  1. 1 maceta Julho 10, 2012 às 11:57 am

    A má formação dos alunos e futuros licenciados tem muito a ver com a deficiente preparação dos professores…não generalizando, mas mesmo assim alargando…

    abraço

  2. 2 João Setembro 7, 2012 às 9:30 am

    A questãoo é que a somar a esse erro, existem ultra-leves motorizados, que são autenticos aviões, quer em aspecto quer em sofisticação e performance. Um avião ligeiro (avioneta) abaixo dos 450 kg é um ultraleve. Procure por Ultra-light Shark e verá. Mas para os jornalistas existem tres tipos de aviões, guerra, comerciais e avionetas (agora ultra-leves).

  3. 3 manuel correia Novembro 1, 2012 às 9:17 pm

    Posso concordar em boa parte com o que diz, e o desejável é que cada jornalista fosse especializado em tudo e mais alguma coisa e não é assim.
    A realidade é que mesmo um bom jornalista (exceptuando os temáticos) é especialista em generalidades, pelo que não me choca que chame ultra-leve a uma avioneta ligeira (devo estar a usar uma designação tecnicamente incorrecta mas que é de percepção comum).
    O papel do jornalista não é ser técnico; é transmitir à comunidade de ouvintes ou leitores uma informação. O mais correcta possível ou suficientemente correcta para ser entendida.
    Neste aspecto é absolutamente indiferente designar como avioneta ou como ultra-leve uma avião de pequeno porte. O que importa é fazer passar a mensagem, ou seja a informação de que caiu um aparelho em dado sítio e que esse acidente (ou incidente) teve determinadas consequências, e eventualmente o sinistro ocorreu por uma dada causa (se for possível adiantá-la: vento, problema de motor, etc).
    Chamo muitos nomes aos jornalistas pela sua ignorância mas não os pode chamar ignorantes por não conhecerem especificidades técnicas quando estão a fazer uma peça generalista, a não ser que quisesse um jornalista especialista em aeronáutica em cada órgãos de comunicação.
    Claro que numa situação destas o ideal era ter à mão um especialista depois para explicar melhor a ocorrência, mas em princípio isso nem sequer interessa porque a notícia não é mais que um simples acidente com a mesma gravidade de muitos acidentes automóveis, não mais que isso.
    Isto é um pouco a mesma coisa que ao falar do presidente da Junta ou do senhor do bar da esquina que viu o acidente, trocar o nome do senhor de José Manuel para João Manuel, o que não se deseja mas não tem a menor importância em termos noticiosos, ou seja, não altera o conteúdo da informação; apenas a troca do nome incomoda o senhor, a família dele e eventualmente dois amigos e o vizinho do lado, mas é irrelevante.


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