O meu aplauso para este artigo de opinião de Rui Lemos Esteves publicado no Expresso

Já não é a primeira vez nem certamente será a última que me apetece ovacionar artigos de opinião deste autor e este então merece da minha parte uma forte ovação.

1. Os “boys” dos partidos dominam a vida política portuguesa. Confirma-se: é um facto indelével da nossa vida política. Palavras como meritocracia, honestidade, seriedade, recompensa pelo trabalho árduo são palavras retóricas, sem significado qualitativo nenhum na política portuguesa. Este é verdadeiramente o nosso défice estrutural – o défice que tem degradado substancialmente a qualidade da nossa democracia. E, infelizmente, existe um conluio entre os partidos para tornar normal a anormalidade que consiste na tomada de assalto dos cargos do Estado pelos “boys” partidários. O PSD de Passos Coelho pratica-o com orgulho e convicção; o PS de António José Seguro cala-se, porque partilha os mesmos valores e não tem fibra para criticar; o PS socrático consente, pois foi pioneiro na arte de usar o Estado para a prossecução de fins privados. Assim estamos: a caminhar para a bancarrota com os políticos a apelarem aos sacrifícios dos portugueses – mas a utilizarem os nossos impostos para pagarem aos “boys”.

2. Pergunta-se: que “boys” são estes? Após ler a lista dos 73 que sabemos provirem da máquina partidária, constatamos o seguinte:

a) Foram todos apoiantes de Passos Coelho, que viraram a máquina do partido a seu favor. Na sua grande maioria, gente da JSD que, desde cedo, se colaram a Miguel Relvas e a Marco António Costa. Primeiro: Miguel Relvas gratificou os seus sequazes da jota, levando-os para o Governo. É o método Miguel Relvas – compensar os seus apoiantes políticos e fazer a vida negra aos seus adversários. Já sabemos a história: Miguel Relvas põe e dispõe do Estado, passando sempre incólume a qualquer responsabilidade política;

b) A forma como Passos Coelho e Miguel Relvas meteram os seus boys no Governo é verdadeiramente pornográfica. Porquê? Lembra-se que o Governo proclamou que reduziu o número de assessores e ministérios. Pois bem, mas Miguel Relvas, na sua chico-espertice tradicional, criou a fgura dos especialistas. Ora, o que são os especialistas? Não sabemos. Ninguém sabe – são jovens, que se formaram em Direito, em sociologia ou economia, que, de repente, se converteram em especialistas em Desporto, em Defesa Nacional, em Agricultura ou em juventude. Claro está que é essencial para o Governo ter um especialista em Desporto ou em juventude! Ui, ui! O que seria de nós se não tivéssemos um especialista em desporto no Governo? Morríamos enquanto Nação! Haveria uma guerra civil! Ainda por cima, um especialista em desporto deste Governo Passos Coelho aufere 3.069, 33 euros! Mas, ao mesmo tempo, os salários dos funcionários públicos são congelados; são eliminados os subsídios de férias e Natal e já se pensa em novo aumento de impostos. Isto é vergonhoso. Mais: é revoltante. Eu tenho orgulho em ser português. Sei que Portugal é muito mais do que Miguel Relvas – o problema é que esta gente que não sabe o que é trabalhar, não sabe o que é crescer na vida pelo mérito, pelo sacrifício, destrói tudo o que nós construímos. É gente como Miguel Relvas que manda no nosso país. Pior: Miguel Relvas está a deixar discípulos. Vai uma aposta que estes militantes da JSD, que andaram a virar as secções a favor de Passos (não vou discutir agora se de forma legal ou ilegal), vão ser de tal forma acariciados pela pseudo-elite partidária – e amanhã serão líderes partidários?

c) O problema disto tudo é que as pessoas que são nomeadas pelo Governo vão exercer funções para as quais não têm as mínimas habilitações. Pense-se na saúde: o problema da saúde não é a incompetência dos médicos, nem o caso patológico das receitas. O problema é que os administradores, os responsáveis máximos das unidades de saúde são, geralmente, “boys” que percebem tanto de saúde como eu de culinária. Depois dá no que dá: numa dívida pública brutal e o país cada vez mais pobre e degradado…

3. Podem dizer que isto é populismo barato. Não, meus caros, não é: populismo barato é afirmar-se, como Passos Coelho, que não haverá mais boys – e depois são nomeações atrás de nomeações e, por acaso, sempre gente muito próxima de Relvas. Populismo barato é haver “boys” a auferirem quase 4000 euros mensais, enquanto que nós, que preferimos trabalhar a pulso, lutar pelo reconhecimento, temos de trabalhar, por vezes, 10 horas por dia – e depois, metade do nosso miserável salário vai para o Estado. Para o Estado pagar aos boys de Miguel Relvas. Se não têm vergonha nem descaramento, nem brio pessoais, ao menos não brinquem com o nosso dinheiro. Obrigado.

1 Response to “O meu aplauso para este artigo de opinião de Rui Lemos Esteves publicado no Expresso”


  1. 1 maceta Agosto 15, 2012 às 3:41 pm

    estamos, portanto, a falar de verdadeiros bácoros…

    abraço


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