Nunca pautei a minha vida e dos meus familiares em função de interesses pessoais porque tenho a noção da minha vivência comunitária

Como já por diversas vezes o referi nasci em Angola e embora não tenha sido em berço de oiro, desde que nasci sempre tive à minha disposição uma casa, condigna,  com casa de banho dispondo água corrente, algo que não era muito habitual, na maioria dos residentes na década de 40 naquela ex-colónia. Também não conheci outro tipo de iluminação mesmo em zonas mais recônditas de Angola que não fosse a energia eléctrica. Mas insisto desde que nasci não fui habituado a pensar só em mim e mais ninguém. O 25 de Abril não me trouxe qualquer vantagem em termos de qualidade de vida bem pelo contrário, retrocedi consideravelmente e duma vivência muito interessante que tinha,  passei a quase a vegetar. Mas fui dos muitos que ovacionaram a mudança de regime porque não estava em causa a perda da minha qualidade de vida mas sim a melhoria da qualidade de vida de muitos milhares de portugueses que antes a não tinham a passaram a ter. Consegui do quase nada eu e minha família começar de novo, podendo dar aos filhos uma formação académica que lhes permitisse assegurar o seu futuro, mas sem conseguir voltar a ter uma vida semelhante aquela que antes havia experimentado. O facto de ter constatado que muita gente que antes não tinha tido o prazer de nada nem de coisa nenhuma, passar a também dispor de bens materiais que no regime anterior seriam absolutamente impossíveis possuir foi para mim sempre motivo de satisfação, porque insisto, não pauto a minha vida e dos meus em função do meu exclusivo bem-estar mas agrada-me que esse fenómeno chegue aquelas pessoas que nunca o experimentaram. Mas infelizmente pelas razões sobejamente conhecidas nesta altura a situação de quase um milhão e meio de pessoas que perderam o seu emprego ou que nem sequer o experimentaram me causa enorme preocupação e há pouco numa reportagem sobre crianças que estão a ser vitimas da situação difícil de seus pais me levou à comoção. E tudo isto tem motivado em mim um sentimento de revolta que me levará a me disponibilizar a tomar uma atitude de radicalismo que ponha fim a tudo quanto neste momento se está a passar no nosso país. 

2 Responses to “Nunca pautei a minha vida e dos meus familiares em função de interesses pessoais porque tenho a noção da minha vivência comunitária”


  1. 1 joaovieira1 Outubro 14, 2012 às 5:42 pm

    Caro Jodoas,

    Só para dizer que apreciei sobremaneira a coragem, desassombro e sentido solidário com que expõe o seu caso pessoal e familiar, antes e depois do 25Abril. Felicito-o por isso e, também, porque, com a sua atitude franca e aberta, penso que se demarca, de modo vincado, de muitos portugueses vividos e/ou nascidos, nas nossas ex-colónias de África que, depois do 25Abril, foram obrigados a retornar a Portugal, jamais conseguindo perdoar aos que consideram responsáveis por tal “expulsão” e/ou “retorno forçado”.


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