Ora nem mais, Filomena Mónica neste seu artigo de opinião publicado no DN reage inteligentemente à contestação dos anti-Sócrates como comentador televisivo

A SEMANA POR…

por FILOMENA MARTINS Hoje

A polémica em redor do regresso de José Sócrates à vida política portuguesa – perdão, ao comentário televisivo – é ridícula. E as críticas à decisão da RTP são um absoluto absurdo. Mas o facto de, em pouco mais de 24 horas, as petições contra a contratação do ex-primeiro-ministro já terem mais de cem mil assinaturas são politicamente significativas: revelam que a sociedade diaboliza a figura e lhe atribui muita da responsabilidade pela situação a que o País chegou, coagindo e limitando assim a ambição que o ex-líder do PS podia ter quanto ao seu futuro, nomeadamente a possibilidade de poder vir a entrar na corrida a Belém.

A parte mais ridícula da polémica é a protagonizada pelo CDS-PP. Depois de discutir no Parlamento o regresso do TV Rural ao canal 2, agora os centristas exigem ouvir o diretor de Informação da estação pública sobre o novo comentador da estação. Nesta lógica, o partido é contra a privatização da RTP apenas para, anualmente, poder discutir a grelha da estação na Assembleia. Assim, no regresso das férias de verão, os deputados podem colocar em cima da mesa se é melhor ter o Malato ou o Goucha nas manhãs ou se a Catarina Furtado ou o Herman José nas tardes de domingo. Ridículo, repito.

Já absurdo é ver os críticos que vieram defender que Miguel Relvas tinha sido impedido de se expressar por causa de uns protestos estudantis tolos e os que atacavam o mesmo José Sócrates pelas suas tendências – confirmadas – de tentativa de controlo dos media estarem agora do lado de lá da barricada. Ou ler que a RTP não podia ter contratado o comentário de Sócrates pelo que ele pode implicar nas decisões governamentais e na vida interna do PS, mas nada ter visto de semelhante nos anos de críticas, gerais, de Marcelo (muitas delas também na estação pública), ou agora de Marques Mendes, Manuela Ferreira Leite ou Santana Lopes.

É de interesse público ouvir o que o ex-primeiro-ministro tem a dizer? Claro. Tem interesse político saber o que pensa quem esteve à frente do Governo que negociou com a troika? Muito. Vamos todos ver? Obviamente. Onde é que está, então, a questão editorial da decisão? Só se for na inveja.

Quanto ao facto em si: ganha a RTP e perde muito mais o PS do que o Governo. Impedida que foi a tentativa de tomada de poder socialista por parte de António Costa, Seguro terá agora o seu grande inimigo semanalmente às canelas. Já para a maioria, Sócrates deixa de ser o fantasma de Paris, cuja responsabilização à distância era sempre malvista, e passa a ser a figura mediática semanal, a quem acusar da desgraça em que deixou o País, colando sempre os socialistas às suas decisões, uma colagem de que há muito Seguro também se anda a tentar afastar. Eis pois uma grande jogada: jornalística e política.

 

 Reprodução parcial do artigo da autora Filomena Mónica.

1 Response to “Ora nem mais, Filomena Mónica neste seu artigo de opinião publicado no DN reage inteligentemente à contestação dos anti-Sócrates como comentador televisivo”


  1. 1 maceta Março 25, 2013 às 10:17 pm

    acho que até vai ser divertido…

    abraço


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