Arquivo de Junho, 2013

Em período de calor o duche colectivo pode ser uma solução

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A dívida do país está a aumentar e não vamos poder pagá-la

  • A dívida está a aumentar
  • e não vamos poder pagá-la
  • não será para o lamentar  
  • os juros estão a aumentá-la 
  • A Alemanha é a nossa desgraça
  • apesar de que quererem convencer
  • que a ajuda que por ela passa 
  • é algo que temos de agradecer 
  • Os juros elevados que nos cobram 
  • por dinheiro que nos é emprestado
  • fazem com que esperanças não sobram
  • continuamos por isso sempre a dever
  • A Banca foi a principal causadora
  • de toda a desgraça deste País 
  • mas a entidade sua financiadora
  • é o Estado e isso ninguém o diz
  • Os responsáveis pela governação
  • continuam a insistir nos mesmos erros
  • afirmam que é a bem da Nação 
  • mas já quase ninguém quer vê-los 

 

Mais uma pedrada no charco da governação atirada por este autor no artigo publicado no DN

por PEDRO MARQUES LOPES Hoje

1. Passados dois anos, a maioria dos comentários sobre a acção do Governo, escritos e falados, são panfletários ou muito próximos disso. A razão é simples: é extremamente difícil encontrar racionalidade na incompetência.

Há quem tenha uma espécie de fé no Governo e jure que tem uma lógica qualquer. Esta lógica não estará ao alcance do entendimento do comum dos mortais. São raras, mas ainda se consegue ler e ouvir pessoas que pensam existir uma espécie de pensamento ideológico e uma linha de actuação definida no Governo. É difícil, mas essas pessoas encontram um racional para decisões como, por exemplo, a de não pagar o subsídio de férias a uma parte dos funcionários públicos em Junho havendo dinheiro e não existindo intenção de passar, no futuro, o pagamento dessa parte do salário para outro mês. Ou que o Governo não dê uma justificação às pessoas que tinham a sua vida planeada ou que nem se preocupe em explicar muito bem explicadinho, como é próprio de uma democracia, porque se mudam as regras a meio do jogo.

Ainda há mesmo quem consiga explicar por que diabo o Governo se esqueceu de legislar a tempo e horas e obrigou Cavaco Silva a uma promulgação que faz que o Presidente da República pareça uma espécie de pau-mandado ou um mero corta-fitas de legislação (o que Cavaco Silva faz para salvar o Governo de um terrível vexame. Não há melhor ministro).

Talvez tenha existido uma linha ideológica, um pensamento, um plano neste Governo. Talvez. Se existia nunca chegou a ser conhecido e se chegou a existir já morreu. Nem o liberalismo de contracapa chegou a revelar-se inteiramente. O que havia era o memorando e as suas várias correcções e adendas. Mesmo esse, que foi a única aproximação a um plano que nos foi dado a conhecer, já se desvaneceu como linha orientadora do Governo.

Porque há uma assinatura que percorre toda a acção governamental: incompetência com muita ignorância à mistura.

 

Os responsáveis governamentais não queriam acabar com a classe média como estão quase a conseguir; não queriam, obviamente, criar estes níveis de desemprego; não queriam obrigar tanta gente a emigrar; não queriam que a dívida se tornasse impagável; não queriam destruir a economia portuguesa por muitos anos. Sem ponta de ironia, claro que não. Enganaram-se. Foram tão-só incompetentes. E não há nada pior do que um incompetente bem-intencionado.

Nem vale a pena lembrar “assuntos menores” como a TSU, dossier RTP, reforma autárquica, confusões na Concertação Social, os patéticos pacotes de apoio ao crescimento. A lista de disparates, de negligência grosseira, de erros infantis, não tem fim.

Aliás, este súbito ódio à troika, ao FMI (é penoso lembrar os elogios que foram feitos a esta instituição e os pedidos lancinantes para que viesse para Portugal) e às receitas aplicadas mostra bem quão mal estes senhores estavam preparados para governar: só perceberam que o plano não estava a resultar quando toda a gente há muito tinha percebido, só entenderam que o programa ia fazer piorar o país quando já este estava de pantanas. É penoso lembrar as palavras de Passos Coelho e do inefável Catroga sobre a genialidade da negociação que tinha tornado o plano um programa genial que ia revolucionar Portugal.

Não sobrou quase nada. Não há discurso, não há uma linha de rumo, não há um plano. Há apenas uma vontade de sobreviver ao próximo disparate, ao próximo descalabro orçamental, aos próximos números do desemprego, aos próximos boletins meteorológicos, aos próximos humores de Gaspar, aos próximos arrufos de Portas e a muita, muita incompetência e ignorância sobre o país. Dois anos, apenas em dois anos.

2. Esta semana Paulo Portas explicou-nos que o que correu bem no Governo foi por causa dele e o que correu mal teria corrido muito pior se não fosse ele. Isto foi-nos explicado durante a apresentação de um programa de governo que será, pelo exposto, radicalmente diferente daquele em que ele é ministro. Diz que é o plano pós-troika. Só faltou mesmo mandar um abraço lá para casa a António José Seguro.

 

Os parques industriais neste país cada vez mais se assemelham a cidades fantasmas

Só quem nem viaja pelas periferias das localidades não consegue aperceber-se da desolação que é constatar que inúmeros parques industriais os quais até há bem pouco tempo funcionavam todos no desenvolvimento das suas actividades para as quais estavam vocacionados, um número significativo de instalações que neste momento estão votadas ao abandono, como se tivesse acontecido um acidente nuclear em que todos quantos nestes locais laboravam tivessem sido obrigados a abandoná-los por motivos de risco de contaminação. Mas como é sabido a causa não é essa mas sim em resultado da enorme recessão que acontece no país por exclusiva culpa das opções governamentais os vários parques industriais estão a fechar por abandono da actividade de quem a ela se dedica, visto o mercado interno se limitar ao consumo de apenas e só produtos de primeira necessidade para assegurarem a sua subsistência. Estamos portanto a viver num país moribundo da actividade industrial, graças a políticas erradas e nas quais insistem os seus promotores.

Excelente retrato do Ministro da Educação, elaborado por Baptista Basto no seu artigo de opinião publicado no DN

Nunca deixei de me espantar com a desfilada insana de certos homens para o abismo da sua perdição moral e intelectual. Nuno Crato é um deles. Li o admirável “O Eduquês”, que definia uma maneira de pensar e reduzia a subnitrato os mitos propostos à nossa preguiça mental. Se o estilo é o homem, ali estava um estilo e um homem que nos diziam ser toda a espécie de carneirismo a negação da inteligência crítica. Assisti, depois, com o alvoroço de todas as curiosidades, ao programa de Mário Crespo, na SIC Notícias, Plano Inclinado, e no qual o nomeado e o prof. Medina Carreira discreteavam sobre os embustes incutidos por esse nada abissal da hipocrisia política. Um aparte: ainda não percebi o que provocou o desaparecimento abrupto do programa e, também, o eclipse de Alfredo Barroso da antena, cuja lucidez era idêntica à informação que nos fornecia, mantendo-se na conversa a senhora que emparceirava com ele. Teias que o império tece.

Voltando ao Crato, a vontade de ser ministro de um desprezível Governo como este parece tê-lo obnubilado. Ou, então, a dubiedade já estava instalada e a falta de carácter era congénita. Como pode o autor de “O Eduquês” e de tantas intervenções televisivas marcadas pelas prevenções contra as evasivas e os ardis ser o cúmplice de um projecto ideológico que visa mandar para o desemprego muitos milhares de pessoas, e desmantelar pelo esvaziamento a escola pública; como pode?

Diz-me pouco, mas talvez diga alguma coisa a circunstância de Crato ser proveniente da extrema-esquerda, aquela contra o “revisionismo” e os “sociais-fascistas.” O combate, afinal, era outro, e a “convicção” constituía um investimento futuro.

O braço-de-ferro do ministro e dos professores nunca foi por aquele decentemente esclarecido. A verdade é que os professores, ameaçados, aos milhares, de ser “dispensados”, apenas lutam pelos seus lugares e pelo trabalho a que têm direito. E a utilização dos estudantes como estratagema político é sórdida. Crato desonrou-se ainda mais do que o previsível. Ao aceitar ser vassalo de uma doutrina doentia, arrastadora de uma das maiores crises da nossa história, ele não só volta a perjurar os ideais da juventude, como o que escreveu e disse.

É preciso acentuar que esta situação não se trata de uma birra do ministro. O despejo de milhares e milhares de pessoas faz parte de um programa mais vasto. Crato é um pequeno parágrafo num acidente histórico preparado ao pormenor por estrategos ligados à alta finança. Outra face do totalitarismo que, sob o eufemismo de “globalização”, tende a uma hegemonia, a qual está a liquidar os nossos valores morais e os nossos padrões de vida. A emancipação das identidades, que formou a tradição universalista e a democratização social, está seriamente intimidada por  gente ignóbil como Nuno Crato.

A paciência é cada vez menos para aturar esta gente que foi escolhida para governar Portugal e que se revelam duma incompetência gritante

É certo que não me considero um indivíduo que priva com um elevado número de pessoas, mas devo dizer que ainda assim são algumas as centenas daquelas com quem privo no meu dia-a-dia e confesso não há uma única que reconheça seja em que governante for capacidade para o exercício do cargo. Esta introdução tem por objectivo chamar a a atenção do senhor Presidente da República, para o facto de que, embora ele continue a reconhecer que o governo reúne condições para continuar a governar, está efectivamente mal informado e por essa razão completamente enganado das suas convicções resultantes das informações que lhe chegam. E isto nada tem a ver com influências partidárias, ou seja, o senhor Presidente está convencido de que o PCP é o promotor de todas as manifestações de descontentamento que surge nas deslocações oficiais quer do governo quer dele próprio. Nada de mais errado tal interpretação e se o clima de descontentamento generalizado da populações não é interpretado como o atingir da capacidade de tolerância da população da desgovernação que tem sido levada a cabo então ainda teremos de lamentar muito mais porque só não vê quem não quer ver. O senhor Presidente sai desta recondução do seu 2º. mandato, como nenhum dos seus antecessores saiu ou seja sai com o rótulo daquele que o período pós 25 de Abril, como o pior titular do mais alto cargo da Nação. E como de resto já assim era considerado como o pior 1º. ministro que Portugal terá tido, fica pessimamente mal na fotografia dos estadistas que figuram nos locais dos quais os mesmos constam. Será sempre considerado como aquele 1º ministro que aquando da adesão à CE recebeu quer no 1º. quer no 2º. mandato avultadas quantias que foram mal aplicada em projectos que mereceram as mais variadas críticas ou seja milhões de euros que foram desbaratados em proveito de alguns amigos, mas que se revelaram um verdadeiro fracasso no desenvolvimento do país. E quanto ao seu papel no exercício da função de Presidente da República embora já tudo tenha sido dito, foi sem dúvida na opinião da maioria dos portugueses e isso afirmo-o com propriedade e convicção o pior titular no pós 25 de Abril. No seu lugar assumiria um gesto de dignidade, mandando quando terminar este seu segundo mandato absolutamente desastroso, retirar as suas fotos dos locais onde constam os seus antecessores, com indicação da sua vontade própria.

Interessante artigo de opinião de Daniel Deusdado publicado no JN de 6/01/2013, desmascarando os objectivos dos promotores da privatização da ANA

ANA, grávida da nova Lisboa

Ah, sim, o discurso de Cavaco. Talvez, talvez, depende, “eu avisei”. Sempre tarde. Adiante. Falemos de coisas concretas e consumadas: o casamento da ANA, uma historieta que tem tudo para sair muito cara. Passo a explicar: a ANA geria os aeroportos com lucros fabulosos para o seu pai, Estado, que, entretanto falido, leiloou a filha ao melhor pretendente. Um francês de apelido Vinci, especialista em autoestradas e mais recentemente em aeroportos, pediu a nossa ANA em casamento. E o Estado entregou-a pela melhor maquia (três mil milhões de euros), tornando lícita a exploração deste monopólio a partir de uma base fabulosa: 47% de margem de exploração (EBITDA). O Governo rejubilou com o encaixe… Mas vejamos a coisa mais em pormenor. O grupo francês Vinci tem 37% da Lusoponte, uma PPP (parceria público-privada) constituída com a Mota-Engil e assente numa especialidade nacional: o monopólio (mais um) das travessias sobre o Tejo. Ora é por aqui que percebo por que consegue a Vinci pagar muito mais do que os concorrentes à ANA. As estimativas indicam que a mudança do aeroporto da Portela para Alcochete venha a gerar um tráfego de 50 mil veículos e camiões diários entre Lisboa e a nova cidade aeroportuária. É fazer as contas, como diria o outro…

Mas isto só será lucro quando houver um novo aeroporto. Sabemos que a construção de Alcochete depende da saturação da Portela. Para o fazer, a Vinci tem a faca e o queijo na mão. Para começar pode, por exemplo, abrir as portas à Ryanair. No dia em que isso acontecer, a low-cost irlandesa deixa de fazer do Porto a principal porta de entrada, gerando um desequilíbrio turístico ainda mais acentuado a favor da capital. A Ryanair não vai manter 37 destinos em direção ao Porto se puder aterrar também em Lisboa. Portanto, num primeiro momento os franceses podem apostar em baixar as taxas para as lowcost e os incautos aplaudirão. Todavia, a prazo, gerarão a necessidade de um novo aeroporto através do aumento de passageiros. Quando isso acontecer, a Vinci (certamente com os seus amigos da Mota-Engil) monta um apetecível sindicato de construção (a sua especialidade) e financiamento (com bancos parceiros). A obra do século em Portugal. Bingo! O Estado português será certamente chamado a dar avais e a negociar com a União Europeia fundos estruturais para a nova cidade aeroportuária de Alcochete. Bingo! A Portela ficará livre para os interesses imobiliários ligados ao Bloco Central que sempre existiram para o local. Bingo! Mas isto não fica por aqui porque não se pode mudar um aeroporto para 50 quilómetros de distância da capital sem se levar o comboio até lá. Portanto, é preciso fazer-se uma ponte ferroviária para ligar Alcochete ao centro de Lisboa. E já agora, com tanto trânsito, outra para carros (ou em alternativa uma ponte apenas, rodoferroviária). Surge portanto e finalmente a prevista ponte Chelas-Barreiro (por onde, já agora, pode passar também o futuro TGV LisboaMadrid). Bingo! E, já agora: quem detém o monopólio e know-how das travessias do Tejo?

Exatamente, a Lusoponte (Mota-Engil e Vinci). Que concorrerá à nova obra. Mas, mesmo que não ganhe, diz o contrato com o Estado, terá de ser indemnizada pela perda de receitas na Vasco da Gama e 25 de Abril por força da existência de uma nova ponte. Bingo!

Um destes dias acordaremos, portanto, perante o facto consumado: o imperativo da construção do novo grande aeroporto de Lisboa, em Alcochete, a indispensável terceira travessia sobre o Tejo, e a concentração de fundos europeus e financiamento neste colossal investimento na capital. O resto do país nada tem a ver com isto porque a decisão não é política, é privada, é o mercado… E far-se-á. Sem marcha-atrás porque o contrato agora assinado já o previa e todos gostamos muito de receber três mil milhões pela ANA, certo? O casamento resultará nisto: se correr bem, os franceses e grupos envolvidos ganham. Correndo mal, pagamos nós. Se ainda estivermos em Portugal, claro.


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