Muito bem visto por este articulista do Expresso, Henrique Raposo.

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Pela frente, Portugal não tinha um mas dois défices: o défice do estado e o défice externo. O primeiro está no centro do diálogo entre Portugal e a troika, e recebe 99% das atenções mediáticas. O segundo é ignorado pelo debate público e até pela troika. Um erro grave.  A raiz do mal é este défice externo. O estado está endividado no exterior, porque a sociedade portuguesa foi incapaz de gerar riqueza através das exportações. Nós, estado e sociedade, viciámo-nos no crédito externo devido à fragilidade da nossa balança de pagamentos. Quando queríamos consumir, e queríamos sempre, só nos restava importar dinheiro, porque éramos incapazes de gerar esse capital. Num certo sentido, o défice do estado é uma consequência deste défice externo, ou melhor, o défice do estado não seria um problema tão gravoso se não existisse esta dependência da importação de dinheiro destinado à importação de bens de consumo.Com o esforço de uns e o sacrifício de outros, Portugal conseguiu extinguir o défice externo em apenas dois anos. Já temos um superavit comercial, ou seja, já estamos a gerar poupança interna; se continuarmos assim, já não será necessário importar tanto dinheiro no futuro. Problema? A troika não parece muito interessada neste facto . Quando insiste em metas nominais rígidas para o défice do estado, Berlim e Bruxelas (o FMI está fora deste erro) estão a desprezar duas coisas. Em primeiro lugar, o nosso ajustamento externo não tem apenas um lado glorioso (capacidade exportadora revelada pelas empresas), também tem um lado negro: o colapso dos sectores que dependiam do vício do crédito e das importações (ex.: construção civil e muitos serviços). Sim, esse vício tinha de ser combatido, mas é preciso ter respeito pelo desespero causado pela mudança. Quando impõem metas nominais inflexíveis, Berlim e Bruxelas revelam cegueira política perante esta dura realidade. Sim, é preciso reduzir o défice estatal, mas dentro de um tempo político e não dentro do tempo exceliano.

Em segundo lugar, os troikistas estão a ignorar por completo o seguinte raciocínio: se Portugal está a reduzir o défice externo, isso quer dizer que o estado tem menos receitas fiscais devido à redução do consumo de importações; este dado dificulta a chegada às metas nominais, mas é a base da regeneração a médio-prazo da economia portuguesa, que está a reorientar baterias para as exportações. Por outras palavras, quando impõem limites rígidos no défice do estado, os troikistas estão a olhar para o efeito (défice estatal) e não para a causa (défice externo). Correr assim atrás de metas nominais faz tanto sentido como um cão a correr atrás da própria cauda. O que interessa são mudanças estruturais e não resultados contabilísticos neste ano. Nesse sentido, uma sociedade que consegue anular o défice externo em dois anos merece uma folga orçamental. Não, não se está a pedir gazetas ou caridades. Pede-se apenas inteligência.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/a-troika-ignora-o-pai-de-todos-os-defices=f830539#ixzz2f2lMqQKy

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