Artigo publicado no jornal francês Liberation Cristina Semblano, economista, que deveria encher de vergonha Passos Coelho e os seus conselheiros económicos

Economia de Guerra em Portugal

CRISTINA SEMBLANO ECONOMIST, A ECONOMIA ENSINA PORTUGUÊS NA UNIVERSIDADE DE PARIS IV-SORBONNE 10 DE DEZEMBRO DE 2013 ÀS 17:06

 

Portugal é um país desesperado. O  desemprego oficial aproxima-se dos 20%, tem diminuído ao longo dos últimos dois trimestres “em favor” de um declínio na força de trabalho. Este é o resultado da emigração em massa que pode atingir ou exceder a dos anos 60 que representou um grande êxodo de portugueses, fugindo da pobreza, da ditadura e da guerra colonial (1) . Metade dos desempregados não recebem subsídio de desemprego e existem milhares de pessoas excluídas do apoio ao rendimento, a abonos de família ou complemento social velhice.

 

É que, embora eles não estejam em guerra, Portugal, sob a égide da troika, em seu terceiro ano de economia de guerra, apesar (ou por causa) dos resultados das políticas económicas desastrosas cometidos por três anos. Porque Portugal é um país onde podemos dizer, com a precisão desta experiência de laboratório, os biliões de sacrifícios impostos à população não teve nenhum efeito sobre a dívida cujo progresso é vertiginoso ou sobre o déficit revisado sistematicamente para cima para cada avaliação da troika.

No entanto, é fornecido com os resultados desta experiência que Lisboa introduziu o orçamento mais austero na história da democracia desde 1977. O ajuste fiscal representa 2,3% do PIB e é principalmente por meio de dreno direto sobre salários e pensões do serviço público dos funcionários públicos.

Nestas condições, só o governo pode fingir acreditar que, apesar da redução drástica do novo rendimento disponível que conduzirá inevitavelmente o “seu” orçamento, o consumo privado e do investimento vai estar lá para apoiar sua hipótese de crescimento 0,8%. Especialmente desde a violenta carga tributária de 2013 será mantida e que 2014 vai ver novas reduções nos gastos com educação, saúde e transferências sociais. Descansam as exportações, mas estas são dependentes da procura externa.

Como em qualquer economia de guerra que prevalece em Portugal só há perdedores. Enquanto apenas funcionários e público aposentado vão contribuir  em 82% para o esforço de guerra, em 2014, ele vai ser extensivo a bancos e monopólios de energia com uma contribuição excepcional de 4%, e o governo tenha intenção de reduzior o IRC em 19% ou 17% para as empresas, em 2016, em conformidade com o princípio sacrossanto da criação de um clima neoliberal propício ao investimento. Há outros vencedores da crise, começando com os credores a quem se destina, em 2014, a título de juros, um “ninho de ovos” equivalente ao orçamento da saúde. É para estes credores que os  sacrifícios são exigidos ao povo dum país mais pobre e desigual da UE. É para eles que as escolas, como as drogas são racionados, o que limita o acesso a parte de cuidados de saúde da população.

Políticas de austeridade violentas a manter-se: eles geram  a sua própria intensificação  do suposto que elas ajudaram a cavar. Cada euro “salvo” em Portugal no déficit resulta numa perda de € 1,25 do PIB e um aumento de 8,76 euros de dívida que é a forma como os credores têm sempre garantia duma dívida ao financiamento.

Como os de outros países sob a intervenção “eficaz” pela troika, para falar deles, a dívida portugesa não será razoavelmente reembolsável. Não é o resultado que deriva de um povo que viveu para lá das suas possibilidades, mesmo que os especialistas do FMI sublinhem a necessidade de reduzir o salário mínimo em Portugal este é de 485 euros brutos por mês, um dos mais baixos na zona do euro e na UE.

Os países semiperiféricos, com uma economia de baixo valor acrescentado e altamente dependente de fora Portugal  membro da zona do euro, vive quase estagnação da economia, para que a dívida pública registe uma trajetória ascendente desde a crise financeira e as transferências significativas do orçamento do Estado para apoiar a economia e salvar os bancos. Incapaz de voltar-se para o Banco Central Europeu (BCE) para financiamento, Portugal tornou-se, depois da Grécia e Irlanda, a terceira vítima da especulação nos mercados financeiros, o que abriu o caminho para a intervenção Troika.

Depois de dois anos e meio e biliões de euros de sacrifícios impostos sobre sua população, Portugal é um país pobre, ele voltou para a taxa de natalidade do final do XIX º  século e a emigração em massa da era da ditadura. Sua população, uma das mais antigas nas reduções da UE. A dívida em relação ao PIB aumentou em quase 25 pontos e o déficit não está contido. Credores representados pela Troika já avisaram a quantidade de cortes de gastos que são necessários em 2015 como o “Memorando” termina em Junho de 2014.

Seja na forma de um novo plano de “resgate” ou de outra forma, no quadro actual das instituições europeias, Portugal permanece sob o domínio da troika e o seu povo será submetido a novos testes. Já existe um outro na Grécia e se houver dúvida permanece, a imagem das mães portuguesas forçadas a abandonar as suas crianças em instituições sociais, enquanto os recém-chegados ricos entram no clube dos milionários, como está demonstrado .

(1 ) O número de portugueses que emigraram em 2012 é estimado em 120.000, ou seja um êxodo de 10.000 pessoas, em média, por mês, numa população de cerca de 10,5 milhões de pessoas.

 

1 Response to “Artigo publicado no jornal francês Liberation Cristina Semblano, economista, que deveria encher de vergonha Passos Coelho e os seus conselheiros económicos”


  1. 1 maceta Dezembro 20, 2013 às 6:22 pm

    há que acrescentar que alem de tudo o mais estes gajos são mesmo perversos…

    abraço


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