A opinião deste profissional de comunicação social nunca me suscitou partir interesse dado sentir a sua colagem aos partidos da direita, mas por concordar com este seu artigo de opinião publicado no DN, transcrevo-o

Provincianismos vários
por JOÃO MARCELINO Hoje
1 O relógio de Paulo Portas caiu no esquecimento e bem. A ideia era mesmo infeliz, provinciana, para além de populista. Acresce ainda que há uma parte do País, raramente representada pelos atores sociais e políticos, que não espera aos saltos pelo novo 1 de Dezembro de 1640 que o vice-primeiro-ministro, enquanto líder do CDS, tentou fabricar. Pelo contrário. Muitos portugueses, aqueles que normalmente andam fora da órbita do sindicalismo engajado e da politiquice dos partidos, olham para este momento com alguma apreensão. A ideia de que os técnicos da troika deixem de supervisionar de perto o programa de ajustamento nacional causa em bastantes camadas da população portuguesa, habituada a desconfiar do bom senso dos decisores da casa, algumas apreensões. E depois de três intervenções em 40 anos não se pode negar que faz todo o sentido desconfiar.
É certo que hoje há coisas que evoluíram no bom sentido. Portugal está comprometido com um tratado orçamental que impõe metas dentro da União. Tem de apresentar anualmente, como todos os outros países, o seu Documento de Estratégia Orçamental às instituições europeias. Não tarda aí estará a União Bancária, pese o comboio a carvão em que viaja por vontade dos “ricos”. Existe, pois, todo um ambiente de regras e obrigações, até de leis, em que não será tão fácil como no passado fazer as asneiras que desequilibraram mais uma vez as finanças do País.
Ainda assim, é justo – e até avisado – desconfiar. Até prova em contrário, os partidos políticos que têm assegurado a governabilidade devem fazer um exame de admissão a uma confiança mais prolongada. Isso vai demorar anos. E para esse momento, esse sim, vale a pena aproveitar o relógio de Paulo Portas. Se tiver corda para funcionar até lá…
2 Outro exemplo de provincianismo vem da oposição. A carta! O que dirá a carta de intenções que o Governo terá de escrever depois da última avaliação como conforto aos credores?
Primeiro, convém esclarecer. Também a Irlanda teve de escrever documento semelhante depois de terminado o programa. Era o que faltava que um país devedor, que ainda levará anos até começar a amortizar o empréstimo e quase 30 anos a pagá-lo na íntegra (e ver-se-á se não precisará de mais tempo) nem sequer inventariasse as reformas a que se compromete. A carta, nesse sentido, será outro dos instrumentos que nos comprometerá com um futuro mais sustentável ao nível das finanças públicas e do endividamento externo.
Uma coisa é querer conhecer tranquilamente o seu conteúdo, para percebermos o que vem aí de novo para a bolsa de cada um de nós em próximos orçamentos do Estado. Outra coisa, bem diferente, é tentar utilizar essa carta, que terá o seu tempo, no final da última avaliação, para efeitos eleitorais. Além do mais, é justo que se conheçam primeiro alguns julgamentos do Tribunal Constitucional. Porventura, haverá retificações a fazer depois disso.
A gritaria que se vai ouvindo a este propósito faz todo o sentido do lado da extrema-esquerda mas não fica bem ao PS. “A carta”, se bem calibrada, será boa para o País. E o que é bom para o País deve continuar a ser bom para o PS.
Cavaco Silva em modo “Facebook”: “O que mais me vem à memória, no dia de hoje [o do anúncio da ‘saída limpa’], são as afirmações peremptórias de agentes políticos, comentadores e analistas, nacionais e estrangeiros, ainda há menos de seis meses, de que Portugal não conseguiria evitar um segundo resgate. O que dizem agora?”. Pois que hão de dizer, senhor Presidente? Como aqueles altos responsáveis portugueses que antes de pretenderem linhas cautelares previam espirais recessivas… o melhor é estarem calados. É passar à frente e dar graças a Deus!

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