As gerações pós 25 de Abril, apesar de afirmarem que souberam como foi o regime de Salazar, não têm noção nenhuma dessa triste realidade

Porque a realidade não se sente através de explicações dadas pelos docentes nos bancos de escola, nem sequer se sente através dos escritos que existem e retratam o regime de ditadura que vigorou durante 48 anos. Não é de estranhar por isso, ou seja pela ignorância real do que foi a ditadura de Salazar, que haja cada vez mais jovens a se filiarem em partidos de direita e a defenderem ferozmente os princípios do seu ideário. Nem mesmo de estranhar que outros haja a invocarem o “volta Salazar que estás perdoado”. Já uma vez escrevi sobre esta matéria mas porque me incomoda assistir a um certo comportamento de parte da nossa sociedade volto a repetir-me. Eu pertenço ao conjunto de portugueses que em termos de qualidade de vida, não tive qualquer benefício com a realização da revolução dos cravos bem pelo contrário. A disparatada descolonização, fez com que eu e minha família tivéssemos como muitas outras pessoas deixado Angola o território minha terra natal. Não nasci lá por acidente o meu saudoso pai, tinha ido para Angola em 1900 na tentativa de trazer de volta o seu pai que havia deixado a sua mãe com a guarda de 9 filhos. Não o conseguindo demover lá ficou, tendo concorrido para um lugar nos CTT, onde exerceu funções, até atingir o topo de carreira, terminando-a como director regional dos CTT. Habituou-nos a uma vida, razoável até atingirmos a maior idade eu e minhas irmãs e seguirmos a nossa própria independência. O nosso estilo de vida era muito semelhante senão melhor ao de muitos portugueses que então no Continente como se dizia, pertenciam à classe média alta. Como os funcionários públicos ultramarinos podiam beneficiar de 5 em 5 anos da chamada licença graciosa, benefício esse que o meu saudoso pai nunca abdicou, viemos, vários vezes a Portugal continental de férias e por isso lembro-me bem como era a vida da maioria dos portugueses que aqui labutavam. De tal maneira que após os 5 meses de férias a que o meu pai tinha direito como qualquer outro funcionário ultramarino de aqui permanecer, nós, seus filhos, pedíamos-lhe que não prolongasse o período de férias, algo que podia fazer, pedindo junta médica no então Hospital do Ultramar, hoje Egas Moniz, pois não gostávamos de assistir ao elevado nível de miséria que neste país o regime então do ditador Salazar proporcionava. Apesar de, como anteriormente referi não ter beneficiado em termos de melhoria da condição de vida, absolutamente nada com a revolução de Abril, esse facto por si só não me impediu de reconhecer que foi o acontecimento mais importante que aconteceu neste País, porque permitiu melhorar substancialmente a vida de largas centenas de milhares de pessoas que deixaram, uns a sua situação de vida de quase miséria e outros, a grande maioria até, duma vida de muitas restrições, pois lembra-me bem que nesse tempo existiam as Casas de Penhores, em que pessoas havia que, para conseguirem ir de férias, punham no prego, os seus melhores haveres, para conseguirem um adiantamento de dinheiro por parte das ditas casas para irem passar férias balneares à zona algarvia. Tive de resto oportunidade de conhecer algumas pessoas que tal o confessaram. E é foi esta triste realidade que as gerações que nasceram após o 25 de Abril, não conheceram porque esta realidade só quem a viveu ou quem ela conviveu que foi o meu caso, sempre que de licença graciosa o meu pai nos trazia a Portugal dava para nós constatarmos. E por constatar essa realidade bem visível que é hoje o nível de vida de que desfrutam a maioria dos portugueses que sempre apoiei e apoiarei a revolução dos cravos o acontecimento que mudou radicalmente a vida da maioria dos portugueses, sobretudo daqueles que antes, usavam no transporte ferroviário as carruagens de 3ª. classe e se sentava em bancos corridos de madeira. E só os que tinham possibilidades de usar o transporte ferroviário em carruagens de 2ª. classe, já o faziam em assentos estofados. 

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