Oiço pessoas, não agora. mas desde há bastante tempo, que quando atingem os 60 anos de idade, usam nas suas habituais conversas a expressão de que já estão velhos e alguns, sobretudo aqueles que padecem de enfermidades, encaram a velhice como uma consequência do seu estado de saúde. Nada de mais errado do meu ponto de vista esta leitura que noto muita gente fazer porquanto é sabido que para se contraírem enfermidades a condição de envelhecimento da pessoa não é em si, a razão da sua existência. Tanta gente jovem que conheço afectadas com enfermidades que, erradamente costumam ser até pelos profissionais de saúde atribuídas à idade avançada. Eu até compreendo que o envelhecimento em si mesmo, pelos disparates vários que as pessoas fazem na vida, podem ser os causadores do aparecimento de certas enfermidades as quais nunca encontram a devida resposta na farmacologia, porque quem for portador duma enfermidade, em que não haja a hipótese de cura possível, a toma sucessiva de medicamentos para reduzir o efeito da mesma, acaba pelas diversas contra-indicações dos fármacos, causar o aparecimento de outras enfermidades disso não tenho a menor dúvida, como de resto tenho vindo a constatar ao longo de minha existência que já ultrapassou a barreira das 7 décadas e pelas inúmeras queixas que vou ouvindo de pessoas amigas e conhecidas. Mas o que mais lamento ouvir é que as pessoas que não estão preparadas para envelhecer, acabam por encontrar na desculpa de que as suas enfermidades são uma consequência da sua velhice. Daí talvez a razão porque algumas pessoas quando me vêm ainda a trabalhar afirmam, você deve estar já quase na idade da reforma. Claro que a minha reacção é rir-me, porque acrescento, não está enganado, já a ultrapassei há vários anos. E isto porquê. Pela simples razão de que encaro o envelhecimento com absoluta normalidade e apesar de, há 10 anos ter sido acometido dum túmor maligno colo-réctal, não só ultrapassei o problema como não me sirvo do meu envelhecimento como desculpa para na eventualidade de no futuro se contrair uma nova enfermidade, atribuir a causa à condição da minha velhice, que insisto não a sinto, nem sequer a invoco como razão para o que quer que seja.